Taxas dos DIs caem após ata do BC indicar poucas chances de alta da Selic no curto prazo
As taxas dos DIs fecharam em baixa após a ata do Copom indicar que a Selic não deve subir no curto prazo, mantendo-se em 14,25% ao ano.
A taxa do DI para janeiro de 2028 caiu 15 pontos-base, para 14,545%, enquanto a de janeiro de 2035 recuou 10 pontos-base, para 14,425%.
O Copom prevê que a inflação convergirá para a meta de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028, exigindo ajustes na Selic.
SÃO PAULO, 23 Jun (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a terça-feira em baixa, com investidores eliminando parte dos prêmios da curva a termo após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central indicar que a Selic não subirá no curto prazo e que buscará atingir a meta de inflação apenas no primeiro trimestre de 2028.
A queda das taxas futuras no Brasil foi influenciada ainda pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,545%, com baixa de 15 pontos-base ante o ajuste de 14,698% da sessão anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,425%, com queda de 10 pontos-base ante o ajuste de 14,52%.
A ata do Copom, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, reiterou que a projeção de inflação do BC para o quarto trimestre de 2027 — atual horizonte relevante — está em 3,7%, acima do centro da meta de inflação, de 3%.
Ao mesmo tempo, o BC voltou a defender que atingir os 3% no quarto trimestre de 2027 demandaria ajustes agressivos da Selic e faria, na sequência, a inflação ficar abaixo desse nível por diversos trimestres consecutivos.
Em função disso, o Copom julgou como mais adequadas trajetórias de Selic “menos discrepantes”, com combinações de “momentos de pausa” e “retomada do ciclo de calibração” — ou seja, de corte — da taxa básica, com a inflação “convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028”.
Em reação, as taxas dos DIs de curto prazo se firmaram em baixa logo cedo, enquanto as longas chegaram a sustentar ganhos, mas migraram para o território negativo durante a tarde.
“O Copom deixou claro que… este patamar (da Selic) ainda é bastante restritivo e que vai fazer a convergência da inflação à meta. O mercado tinha bastante alta precificada (na curva), até em reuniões do Copom no curto prazo, e reduziu um pouco este cenário de alta”, comentou o chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia, ao justificar a queda da curva brasileira.
“Pela ata, o BC não considera subir juros, ele considera parar e depois calibrar”, acrescentou.
Para o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, a ata elevou as chances de interrupção do atual ciclo de cortes da Selic já em agosto.
Fonte: Portal do Holanda

