Cidades

Amazônia reduz desmatamento histórico, mas segue sob pressão humana

A Amazônia brasileira vive um momento de avanços no combate ao desmatamento, mas ainda enfrenta desafios ambientais que ameaçam sua capacidade de contribuir para o equilíbrio climático do planeta.

Enquanto o governo federal comemora a menor taxa de desmatamento da série histórica, uma pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revela que as atividades humanas continuam sendo o principal fator de emissão de carbono na região, especialmente por meio de queimadas e da degradação florestal.

Os dois indicadores mostram que a redução do desmatamento é uma conquista importante, mas não representa, isoladamente, a solução para os problemas ambientais da maior floresta tropical do mundo.

Brasil cobra explicações da Argentina, mas evita crise com Milei

O seu marido também é feminista?

STF manda TSE pôr olho em R$ 80 milhões de emendas do União Brasil

De acordo com dados do Inpe, apresentados pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o desmatamento na Amazônia caiu 41,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, em comparação com o período anterior.

Foram registrados 3.335 quilômetros quadrados de área desmatada, contra 5.731 quilômetros quadrados anteriormente. É a menor taxa desde o início do monitoramento do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), em 1988.

Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, Capobianco classificou o resultado como um feito fundamental para a política ambiental brasileira.

Segundo ele, a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado evitou emissões de gases de efeito estufa em volume equivalente ao que o Japão emite em um ano.

O resultado também foi observado nos demais biomas brasileiros, segundo o ministro, que destacou a redução do desmatamento em todos os seis biomas do país.

“A Amazônia e o Cerrado foram responsáveis por evitar a emissão de gases de efeito estufa equivalentes à do Japão. Tudo que o Japão emitiu em um ano, o Brasil deixou de emitir só com essa redução na Amazônia e no Cerrado. É um feito absolutamente enorme, que precisa ser comemorado e valorizado. Certamente muito valorizado agora, na COP-31, que ocorrerá na Turquia a partir do dia 9 de novembro”, frisou o ministro.

Emissões de carbono preocupam

Apesar do resultado positivo, outro levantamento do Inpe demonstra que a pressão sobre a floresta permanece.

Publicado na revista científica Nature, o estudo liderado pela pesquisadora Luciana Gatti analisou 15 anos de medições aéreas de dióxido de carbono (CO₂), realizadas entre 2010 e 2024, em quatro localidades que abrangem a Amazônia brasileira.

A pesquisa identificou que o desmatamento e as queimadas são os principais responsáveis pelas emissões de carbono na maioria dos períodos analisados.

As condições climáticas extremas, como as secas associadas ao El Niño e ao aquecimento do Atlântico tropical norte, intensificam os efeitos dessas atividades.

Amazônia perde função história

Ao longo dos 15 anos avaliados, o balanço médio de carbono da Amazônia foi de 0,32 pentagrama de carbono por ano, equivalente a aproximadamente 1,17 bilhão de toneladas de CO₂.

As queimadas apareceram como a principal fonte de carbono, com emissões médias de 0,40 pentagrama de carbono por ano, o equivalente a 1,47 bilhão de toneladas de CO₂.

Um dos aspectos mais preocupantes é que a capacidade de absorção de carbono pela floresta não foi suficiente para compensar as emissões.

Na prática, isso significa que a Amazônia vem perdendo parte de sua função histórica de retirar gases de efeito estufa da atmosfera.

Mudanças climáticas

O estudo do Inpe também mostra como a ação humana pode agravar os efeitos das mudanças climáticas.

Na comparação entre os períodos analisados, os pesquisadores identificaram que, entre 2019 e 2022, o desmatamento aumentou 97% e a área queimada cresceu 25% em relação ao grupo de anos com condições ambientais mais favoráveis.

As emissões de carbono aumentaram 391%, mesmo sem a ocorrência de condições de seca extrema.

Já nos anos de 2023 e 2024, marcados por eventos climáticos extremos, o balanço de carbono atingiu o maior patamar entre os três grupos analisados, chegando a 0,49 pentagrama de carbono por ano, equivalente a 1,80 bilhão de toneladas de CO₂.

Queimadas x ação humana

A pesquisa identificou ainda que 98% das queimadas analisadas estavam associadas à ação humana.

O resultado reforça que, embora fatores naturais e climáticos influenciem a intensidade dos impactos, a intervenção humana continua desempenhando papel determinante na degradação da floresta.

Outro dado relevante diz respeito às transformações climáticas acumuladas ao longo das últimas décadas. Segundo o levantamento, nos últimos 46 anos, o desmatamento e a degradação de longo prazo reduziram a precipitação anual na Amazônia em 8%.

Durante o período mais seco, entre agosto e outubro, a queda chegou a 20%. No mesmo intervalo, a temperatura média anual aumentou 1,13 °C.

Esse processo cria um ciclo de retroalimentação: a perda da cobertura vegetal reduz as chuvas, aumenta as temperaturas e prolonga a estação seca, deixando a floresta mais vulnerável a novas queimadas e à mortalidade de árvores.

Preservar é o desafio

Assim, os cientistas e observadores ambientais afirmam que é necessário combater o uso do fogo, impedir a degradação florestal, recuperar áreas afetadas e fortalecer políticas de proteção ambiental.

A redução do desmatamento representa um passo fundamental, mas a manutenção da floresta em pé também exige enfrentar as atividades que comprometem sua capacidade de absorver carbono e regular o clima.

Lula libera R$ 45,2 milhões contra queimadas e seca no Amazonas

O desafio, portanto, não é apenas derrubar menos árvores, mas garantir que a Amazônia continue funcionando como uma floresta saudável, capaz de preservar a biodiversidade, manter o regime de chuvas e contribuir para o equilíbrio climático global.

*Com informações do MMA e Inpe


Fonte: Cidades — BNC Amazonas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *