Mundo

UE deve utilizar toda sua influência para garantir cooperação de Marrocos, diz chefe da política de imigração do bloco

A União Europeia deve usar sua influência, incluindo política de vistos e comércio, para garantir a cooperação de Marrocos em imigração, afirma Magnus Brunner.

Cerca de 72 mil migrantes entraram em Ceuta na semana passada, destacando a necessidade de controle e cooperação com países vizinhos.

Críticos alertam que a estratégia da UE pode expor o bloco a pressões de países de trânsito, como Marrocos, em busca de concessões políticas.

Por Inti Landauro e Charlotte Van Campenhout

BRUXELAS, 6 Ago (Reuters) – A União Europeia deve utilizar toda a influência de que dispõe, incluindo a política de vistos e o comércio, para garantir a cooperação de Marrocos em matéria de imigração, afirmou nesta quinta-feira o comissário europeu para a Imigração, Magnus Brunner.

Cerca de 72 mil migrantes entraram no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, na semana passada, segundo as autoridades espanholas, em um dos maiores movimentos desse tipo para o território da UE nos últimos anos.

“Uma lição muito importante que Ceuta nos traz é que, para ter controle, precisamos cooperar com nossos vizinhos, é claro, mas enquanto o controle depender da boa vontade de um único Estado vizinho, continuaremos… vulneráveis”, disse Brunner em uma reunião de uma comissão do Parlamento Europeu.

A UE tem contado cada vez mais com acordos com países do Norte da África para conter a imigração irregular, oferecendo apoio financeiro e outros incentivos em troca de controles de fronteira mais rígidos e cooperação em matéria de repatriação.

Críticos afirmam que a estratégia deixa o bloco exposto à pressão de países de trânsito que podem flexibilizar — ou ameaçar flexibilizar — os controles migratórios em busca de concessões políticas ou econômicas.

Brunner afirmou que a UE precisa fortalecer a cooperação com países terceiros em matéria de repatriação e readmissão e utilizar todas as ferramentas disponíveis para garantir parcerias eficazes.

O prefeito do enclave, Juan Jesús Vivas, informou aos parlamentares que cerca de 100 pessoas morreram durante a travessia em massa da fronteira e que entre 3.000 e 5.000 imigrantes permaneciam em Ceuta.

“Reitero isso hoje, depois de ter visto o que vi: Marrocos não é um país confiável”, disse ele, acrescentando que a responsabilidade pela única fronteira terrestre da Europa com a África precisa ser supervisionada pela Europa, e não por Marrocos.

(Reportagem de Inti Landauro)


Fonte: Portal do Holanda

Leia a matéria original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *