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Ação da Ânima desaba 30% após acordo para comprar FMU; BTG Pactual corta recomendação

As ações da Ânima Educação caíram 30% após anúncio da aquisição das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) por R$410 milhões, atualmente em recuperação judicial.

Analistas do BTG Pactual rebaixaram a recomendação da ação para neutra, citando múltiplos elevados e mudanças nos pilares de investimento da empresa.

A alavancagem líquida da Ânima deve aumentar de 2,39 para 2,73 vezes após a aquisição, gerando preocupações sobre a execução do plano e geração de caixa.

SÃO PAULO, 15 Jul (Reuters) – As ações da Ânima Educação desabavam 30% nesta quarta-feira, após a companhia divulgar na véspera acordo para a aquisição das Faculdades Metropolitanas Unidas Educacionais (FMU), instituição localizada em São Paulo que está atualmente em recuperação judicial, por R$410 milhões.

De acordo com analistas do BTG Pactual, considerando a dívida líquida ajustada da FMU, de R$150 milhões, a transação implica um valor de firma (EV) de aproximadamente R$560 milhões, ou cerca de 10 vezes o EV/Ebitda ajustado dos últimos 12 meses até o primeiro trimestre de 2026, de R$53 milhões, excluindo os efeitos da IFRS 16. O múltiplo também corresponde a cerca de duas vezes a receita da instituição e a aproximadamente R$11 mil por aluno.

"Trata-se de um múltiplo elevado, bem acima das cerca de 3,3 vezes EV/Ebitda dos últimos 12 meses da própria Ânima", afirmaram, ressaltando que a aquisição altera de forma significativa a tese de investimento, que vinha sendo sustentada pela geração consistente de fluxo de caixa livre (FCF), maior capacidade de distribuir dividendos e uma estratégia de alocação de capital mais eficiente desde a aquisição de ativos da Laureate.

"Como os pilares que sustentavam nossa recomendação de compra deixaram de existir, estamos rebaixando a recomendação da ação para neutra", afirmaram os analistas do BTG em relatório a clientes.

O pagamento dos R$410 milhões será em duas parcelas, sendo a primeira paga à vista, no valor de R$240 milhões, se o fechamento ocorrer após 31 de dezembro de 2026, e a segunda em 31 de dezembro de 2029, ou após três anos da data de aprovação definitiva pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), tendo valor mínimo equivalente a R$170 milhões, disse a companhia.

No fato relevante sobre a operação, a Ânima disse que a chegada da FMU "fortalecerá a posição estratégica da rede de instituições que integram o ecossistema Ânima no ensino superior brasileiro, com um portfólio de marcas fortes, tradicionais, adicionando crescimento de receita às suas operações nos segmentos Core e Digital".

De acordo com analistas do Itaú BBA, o valor estratégico da operação nem sempre é fácil de quantificar e a avaliação e alavancagem devem ser as principais preocupações dos investidores.

Os analistas do Itaú BBA citaram que a Ânima estima que sua alavancagem líquida ajustada aumentará de 2,39 vezes no primeiro trimestre deste ano para aproximadamente 2,73 vezes após a aquisição. "Embora o aumento pro forma pareça contido em termos absolutos, ele pode elevar a sensibilidade da companhia à execução do plano e à geração de caixa, especialmente se os juros permanecerem elevados por mais tempo do que o esperado."

A equipe do Itaú BBA também destacou que a diferença entre o múltiplo pago pela FMU e aquele pelo qual a própria Ânima é negociada deve continuar no centro das discussões. "Em nossa avaliação, uma maior visibilidade sobre o cronograma esperado para a convergência das margens, a geração de caixa e a retomada do processo de desalavancagem ajudaria a reduzir essas preocupações."

Na bolsa paulista, por volta de 11h, as ações da Ânima desabavam 30,31%, a R$2, pior desempenho com folga do índice Small Caps, que perdia 0,77%.

Na visão de analistas do Safra, trata-se de uma aquisição estratégica, mas desafiadora. Eles destacaram que a FMU é uma marca forte no maior mercado de ensino superior do Brasil, e o múltiplo de entrada diz pouco sobre o potencial de geração de resultados normalizados do ativo, atualmente deprimido por anos de dificuldades financeiras.

Na simulação de margens da própria Ânima, os analistas do Safra afirmaram que o Ebitda normalizado varia entre R$97 milhões e R$131 milhões, frente aos atuais R$53 milhões, reduzindo o múltiplo efetivo para aproximadamente de 5 a 4 vezes. "Ainda assim, não subestimamos o risco de execução: trata-se do 'turnaround' de um ativo em recuperação judicial, com riscos relevantes", destacaram.

A equipe do Safra acrescentou que a alavancagem da Ânima deve subir modestamente, mas permanecendo abaixo de três vezes, enquanto "a estrutura de 'earn-out' parece favorável ao comprador, limitando o 'downside' e compartilhando apenas parte do upside". "Em nossa visão, a transação cria valor apenas se a margem da FMU convergir para a faixa de referência projetada."

(Edição Alberto Alerigi Jr.)


Fonte: Portal do Holanda

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