Uefa vota por boicotar Copa do Mundo devido a planos da Fifa de vender participação acionária
A Uefa e suas 55 federações nacionais decidiram por unanimidade boicotar a Copa do Mundo e torneios da Fifa em protesto contra a venda de ações.
O presidente da AFC, xeique Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, criticou a falta de consulta da Fifa e considerou a proposta inaceitável.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, propôs um pacote de US$ 40 milhões para associações que aceitarem a venda de participações, mas enfrenta resistência significativa.
30 Jul (Reuters) – A Uefa e suas 55 federações nacionais europeias votaram por unanimidade nesta quinta-feira pelo boicote à Copa do Mundo e a todos os torneios da Fifa, em protesto contra o plano da entidade que rege o futebol mundial de vender uma participação a investidores externos.
A medida drástica ocorreu depois que a Confederação Asiática de Futebol (AFC) enviou uma carta contundente às 47 federações nacionais do continente e alertou que a proposta nunca teria sucesso sem o apoio de todos os blocos regionais do futebol.
“A Uefa e suas 55 federações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da Fifa de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da Fifa para investidores privados”, afirmou a Uefa em comunicado.
“Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja totalmente abandonada e sejam dadas garantias vinculativas de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada.”
O órgão regulador do futebol europeu afirmou que a Copa do Mundo não está à venda e não pode ser tratada como um produto de investimento nem cedida a investidores privados.
“Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma renúncia ao dever da Fifa como guardiã do futebol mundial”, afirmou a entidade sobre a proposta.
“No momento em que investidores externos adquirirem participações nas competições da Fifa, o futebol mudará para sempre. O retorno comercial se tornará uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores se tornarão uma pressão diária.”
CONFEDERAÇÃO ASIÁTICA MANIFESTA PROFUNDA PREOCUPAÇÃO
O presidente da AFC, xeique Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, disse que sua entidade não foi consultada pela Fifa em nenhum nível antes do anúncio público e declarou que isso, somado à ausência de qualquer análise detalhada de governança, financeira ou jurídica da proposta, era “totalmente inaceitável”.
“As ações unilaterais da Fifa parecem minar os próprios alicerces do futebol continental, que se baseiam na solidariedade, na cooperação e na transparência”, acrescentou o presidente da AFC.
A crítica direta da AFC aumenta ainda mais a pressão sobre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que liderou o polêmico plano de criar uma subsidiária de US$20 bilhões para administrar a Copa do Mundo e seus outros eventos, ao mesmo tempo em que oferece participações minoritárias a investidores privados.
A Concacaf, o bloco regional da América do Norte, América Central e Caribe, também criticou a Fifa pela falta de consulta.
Infantino ofereceu às 211 associações-membro da Fifa US$40 milhões cada, caso concordem com a proposta até 19 de setembro, como parte de um pacote de US$10 bilhões que estará disponível a partir de 1º de janeiro de 2027.
Caso seja rejeitado, o pacote voltaria ao valor de US$2,7 bilhões oferecido anteriormente, cerca de US$10 milhões por associação-membro.
Infantino afirmou que a Fifa submeterá a proposta à votação de suas associações-membro e, em seguida, ao seu Conselho Executivo.
No entanto, o xeique Salman afirmou que seria necessário o apoio de todos os seis blocos regionais.
“Tal iniciativa não terá sucesso sem o apoio de todas as confederações, o que não é o caso atualmente”, escreveu ele.
Fonte: Portal do Holanda

