Trump ameaça Irã com novos ataques enquanto Vance participa de negociações na Suíça
Donald Trump ameaçou retomar ataques ao Irã, afirmando que a resposta seria mais intensa se o país não contivesse seus aliados no Líbano.
O vice-presidente JD Vance participou de negociações na Suíça, que visam um cessar-fogo no Líbano e a reabertura do Estreito de Ormuz.
O Irã anunciou o fechamento do estreito, impactando o tráfego de navios e a economia global, enquanto aguarda benefícios econômicos antes de avançar nas negociações nucleares.
Por Humeyra Pamuk e Dave Graham e Tala Ramadan
BUERGENSTOCK, SUÍÇA/DUBAI, 21 Jun (Reuters) – O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou neste domingo retomar a guerra com o Irã, mesmo enquanto o vice-presidente JD Vance se reunia com autoridades iranianas para as primeiras negociações no âmbito de um acordo de paz, ofuscadas pelo anúncio de Teerã de que havia fechado o Estreito de Ormuz.
As negociações no resort de montanha suíço de Buergenstock, de propriedade do mediador Catar, foram as primeiras a serem realizadas nos termos de um memorando de entendimento acordado há uma semana.
O memorando prevê a reabertura do estreito e a cessação de todas as hostilidades, inclusive no Líbano, país que Israel — aliado dos EUA — invadiu em março. Mas o Irã, argumentando que Washington não cumpriu seu compromisso de interromper os combates no Líbano, afirmou ter fechado o estreito novamente e que as negociações de domingo não abordariam questões substantivas, como o programa nuclear iraniano.
"O Irã deve impedir imediatamente que seus PROXIES, que recebem salários altíssimos, causem problemas no Líbano. Se não o fizerem, vamos atacar o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!", disse Trump, em uma aparente referência à escalada que ele ordenou no início deste mês.
Nas negociações, nas quais autoridades americanas e iranianas se reuniram na presença de mediadores do Catar, Vance minimizou o impacto da violência no Líbano, afirmando que houve avanços nos últimos dias no sentido de pôr fim às hostilidades no país.
"Essas coisas são sempre um pouco confusas", disse ele.
Apesar do anúncio de um novo cessar-fogo no Líbano na sexta-feira, há poucos sinais de que os combates tenham chegado ao fim. O Irã informou no sábado que, como resultado, havia fechado novamente o estreito, cujo fechamento por quase quatro meses causou a maior interrupção no abastecimento global de energia da história.
Autoridades americanas contestaram se o estreito havia sido fechado novamente, mas dados de navegação disponíveis comercialmente mostraram um impacto imediato. Apenas um único pequeno petroleiro cruzou o estreito com seus transponders de localização ativados após o anúncio do Irã, em comparação com dezenas de navios nos últimos dias, quando o tráfego havia começado a retornar aos níveis pré-guerra.
A agência de notícias iraniana Fars citou uma fonte militar afirmando, no domingo, que nenhuma nova autorização estava sendo emitida para a travessia de navios até segunda ordem. Ao longo da guerra, muitas empresas de navegação afirmaram que era muito perigoso navegar pelo estreito sem a permissão do Irã.
Fonte: Portal do Holanda
