Taxas sobem com preocupações sobre inflação no Brasil, na contramão dos Treasuries
As taxas dos DIs no Brasil sobem, com a taxa para janeiro de 2028 alcançando 14,08%, refletindo preocupações com a inflação.
O Itaú Unibanco revisou suas projeções de inflação para 2026 e 2027, aumentando a expectativa para a Selic terminal de 13,25% para 13,75%.
Os EUA propõem tarifas punitivas de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais, com prazo para resposta até 15 de julho.
SÃO PAULO, 2 Jun (Reuters) – As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem altas nesta manhã de terça-feira, em especial entre os vencimentos longos, em meio a preocupações do mercado com o cenário para o controle da inflação no Brasil, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries estão em queda.
Às 10h35, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,08%, em alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,046% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,145%, em alta de 12 pontos-base ante o ajuste de 14,021%. No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — cedia 3 pontos-base, a 4,447%.
As taxas futuras sobem desde o início da sessão no Brasil, refletindo aspectos técnicos e posicionamentos em relação à política monetária futura no país.
No caso da taxa do DI para janeiro de 2028, apesar da leve alta ante o ajuste da véspera — definido por volta das 16h30 –, em relação ao fechamento do dia havia queda, mais em sintonia com o recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
Operador ouvido pela Reuters pontuou nesta manhã que o viés de alta para a curva brasileira está ligado às preocupações do mercado sobre o controle da inflação. Ele lembrou que, na véspera, o Itaú Unibanco elevou de 5,2% para 5,4% sua projeção para a inflação em 2026 e de 4,3% para 4,5% em 2027, revisando também a expectativa para a Selic terminal, de 13,25% para 13,75%.
Nas mesas, há a leitura de que mais instituições tendem a elevar as projeções para a Selic em função dos impactos inflacionários da guerra no Oriente Médio.
Na última sexta-feira — dado consolidado mais recente — as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 82% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic este mês, contra 15% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 2,5% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.
No entanto, para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 44,5% para manutenção, 40% para novo corte de 25 pontos-base e 10% para corte de 50 pontos-base. Nos últimos dias, os agentes vêm adotando posições mais cautelosas, vendo menos espaço para a continuidade do ciclo de cortes da Selic para além de junho.
O avanço das taxas dos DIs ante os ajustes nesta terça-feira contrastava com o recuo dos rendimentos dos Treasuries e com a baixa do petróleo Brent no exterior, com investidores à espera de um desfecho para as negociações entre Irã e EUA.
Nesta terça-feira, a agência de notícias iraniana Mehr informou que o Irã ainda analisa uma proposta de acordo com os EUA para interromper a guerra, acrescentando que o país estava adotando uma abordagem "severa" sobre o assunto, em meio à desconfiança em relação a Washington.
Fonte: Portal do Holanda

