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Soldados e mercenários mataram ao menos 34 civis no Mali, aponta relatório da Anistia Internacional

Pelo menos 34 civis foram mortos em operações militares conjuntas do Exército do Mali e do grupo Wagner entre junho de 2023 e dezembro de 2025.

As vítimas, principalmente de comunidades pastorais, foram atacadas devido à etnia e presença em áreas com grupos jihadistas, segundo a Anistia Internacional.

O governo do Mali nega as acusações de assassinatos de civis e não respondeu ao relatório da Anistia, que classifica os atos como crimes de guerra.

DACAR, 29 Set (Reuters) – Pelo menos 34 civis foram mortos em sete incidentes ocorridos durante operações militares conjuntas no Mali, realizadas pelo Exército e pelo grupo mercenário russo Wagner, entre junho de 2023 e dezembro de 2025, informou a Anistia Internacional em um relatório divulgado na terça-feira.

A organização de direitos humanos documentou a morte de 34 pessoas, que, segundo ela, não participavam das hostilidades, em incidentes ocorridos nas regiões de Segou, Mopti e Timbuktu, no Mali, ao longo da fronteira com a Mauritânia.

Segundo a organização, as vítimas eram, em sua maioria, membros de comunidades pastorais que foram atacadas por causa de sua etnia e de sua presença em áreas onde grupos jihadistas atuavam.

O governo militar do Mali, que assumiu o poder após golpes de Estado em 2020 e 2021, nega ter matado civis em sua luta contra os jihadistas. Não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, assim como Moscou.

“Esses assassinatos foram deliberados: as vítimas foram baleadas, tiveram suas gargantas cortadas ou foram queimadas vivas”, afirmou o relatório da Anistia, acrescentando que os atos descritos no relatório constituem crimes de guerra.

Os entrevistados para o relatório disseram à Anistia que foram torturados principalmente por membros do Wagner durante patrulhas ou enquanto estavam detidos em bases militares. Outros descreveram civis atingidos por ataques com drones e a destruição de propriedades civis.

“Na cabeça deles, todos os pastores são terroristas e, por isso, não hesitam em queimar pessoas e propriedades”, disse à Anistia um pastor que se refugiou na Mauritânia.

O grupo mercenário Wagner deixou o Mali em 2025. Mas o Africa Corps, formado por muitos ex-combatentes do Wagner, ainda atua no país.

A Anistia Internacional informou que compartilhou as conclusões do relatório com as autoridades do Mali em 3 de agosto, mas não recebeu resposta até o momento da publicação.

(Reportagem de Anait Miridzhanian)


Fonte: Portal do Holanda

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