Setor de serviços paga R$ 644,2 bilhões em salários para 15,9 milhões de pessoas
Dados são de pesquisa do IBGE divulgada nesta quinta-feira (27). Dados mostram a distribuição da atividade por segmentos e estados da federação. Receita bruta totaliza R$ 3,9 trilhões no período
-
Destaques
- Em 2024, 1,9 milhão de empresas ativas prestadoras de serviços no Brasil ocuparam 15,9 milhões de pessoas.
- Segmento de Serviços profissionais, administrativos e complementares concentrou a maior proporção de ocupados (44,2%). Entre as atividades, Alimentação foi a principal empregadora (11,7%).
- Empresas pagaram R$ 644,2 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações em 2024. Receita operacional líquida foi de R$ 3,5 trilhões e valor adicionado foi de R$ 2,1 trilhões.
- Serviços profissionais, administrativos e complementares lideraram em termos de participação na receita, com 29,4%.
- Concentração de mercado no setor de serviços foi de 6,7%. Entre os segmentos, Serviços de informação e comunicação apresentaram o maior grau de concentração, com 31,7%.
- Salário médio do setor de serviços foi de 2,2 salários-mínimos, sendo o segmento de Serviços de informação e comunicação o de maior salário médio (4,5 s.m.).
- São Paulo respondeu por 43,5% da receita bruta nacional de prestação de serviços, seguido por Rio de Janeiro (10,1%), Minas Gerais (8,5%).
- Em 23 das 27 UFs, a atividade de Serviços profissionais, administrativos e complementares foi a de maior receita bruta.
- Devido a mudança metodológica, nova série histórica da PAS se inicia em 2024, com a substituição da RAIS pelo eSocial e a retirada do indicador de atividade.
Em 2024, o setor de prestação de serviços não financeiros foi responsável pela ocupação de 15,9 milhões de pessoas, em 1,9 milhão de empresas ativas. As empresas pagaram R$ 644,2 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações e registraram R$ 3,5 trilhões em receita operacional líquida. Já o valor adicionado foi de R$ 2,1 trilhões. Os dados são da Pesquisa Anual de Serviços (PAS), divulgada hoje (27) pelo IBGE.
A PAS retrata as características estruturais das empresas prestadoras de serviços não financeiros no país. Esse setor possui uma elevada participação no Produto Interno Bruto (PIB) e no total de empregos formais, reunindo um amplo conjunto de atividades com diferentes características quanto à geração de receita, ocupação de mão de obra, intensidade tecnológica e organização produtiva.
O setor foi organizado em 34 atividades, agrupadas em sete grandes segmentos: Serviços prestados principalmente às famílias; Serviços de informação e comunicação; Serviços profissionais, administrativos e complementares; Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio; Atividades imobiliárias; Serviços de manutenção e reparação; e Outras atividades de serviços. Para análise regional, a PAS compreende 13 atividades.
Os dados são referentes ao ano de 2024, sendo coletados em 2025. Realizada desde 1998, a PAS passou por alterações metodológicas na nova coleta. O Cadastro Básico de Seleções (CBS) utilizava a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) como principal fonte para identificação de empresas ativas. Nessa coleta, houve a substituição da RAIS pelo eSocial e a retirada do indicador de atividade em 2024. Com isso, passou a ser adotado um critério combinado de exclusão de empresas inativas. Como resultado, ocorreu uma quebra de série na PAS a partir de 2024, com maior impacto nas empresas com menos de cinco pessoas ocupadas.
Receita bruta totaliza R$ 3,9 trilhões em 2024
A receita bruta apurada pelas empresas prestadoras de serviços não financeiros totalizou R$ 3,9 trilhões em 2024. Desse montante, R$ 3,8 trilhões corresponderam à receita proveniente da prestação de serviços, enquanto o restante correspondeu a receitas provenientes de atividades secundárias desenvolvidas por essas empresas, como operações industriais, de construção e de revenda de mercadorias.
Já a receita operacional líquida (calculada após a dedução das vendas canceladas, abatimentos, descontos incondicionais e impostos incidentes sobre a receita bruta) do setor de serviços somou R$ 3,5 trilhões em 2024. Serviços profissionais, administrativos e complementares lideraram em termos de participação na receita, com 29,4%.
O setor de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio contribuiu com 28,3% do total, seguido por Serviços de informação e comunicação (19%), Serviços prestados principalmente às famílias (11,7%), Outras atividades de serviços (7,6%), Atividades imobiliárias (2,6%) e Serviços de manutenção e reparação (1,4%).
No conjunto das 34 atividades, destacaram-se Serviços técnico-profissionais, responsáveis por R$ 446,1 bilhões da receita operacional líquida, ou 12,6% do total. A segunda atividade foi a de Transporte rodoviário de cargas, com 12,2%, seguida de Serviços de tecnologia da informação (11,3%).
Concentração de mercado foi de 6,7%
Em 2024, a concentração de mercado nas oito maiores empresas foi de 6,7%. A concentração é mensurada pelo indicador (R8), que expressa a participação das oito maiores empresas na receita operacional líquida de cada segmento ou atividade econômica. Quanto maior o valor do indicador, maior é a concentração da receita em um número reduzido de empresas.
Entre os sete segmentos investigados pela PAS, o de Serviços de informação e comunicação apresentou o maior grau de concentração, com 31,7% da receita operacional líquida concentrada nas oito maiores empresas. O segmento foi seguido por Outras atividades de serviços (23,9%) e Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (12,1%).
Quanto aos níveis de concentração de mercado das 34 atividades pesquisadas, os maiores níveis de concentração foram registrados em Transporte dutoviário, cujo indicador atingiu 100%, evidenciando que toda a receita da atividade esteve concentrada nas oito maiores empresas. Também apresentaram elevada concentração Transporte aéreo (93,2%) e Correio e outras atividades de entrega (81,5%).
Por outro lado, atividades caracterizadas por maior pulverização empresarial registraram os menores indicadores de concentração. Entre elas destacaram-se Atividades de apoio à educação e outras atividades de ensino (5,2%), Transporte rodoviário de cargas (6,9%) e Transporte rodoviário de passageiros (7,6%).
Serviços profissionais, administrativos e complementares concentram 44,2% dos trabalhadores
Em 2024, as empresas prestadoras de serviços não financeiros empregaram 15,9 milhões de pessoas, entre pessoal assalariado e sócios. O segmento de Serviços profissionais, administrativos e complementares concentrou o maior contingente de pessoas ocupadas, com aproximadamente 7,0 milhões de trabalhadores, correspondendo à maior participação no emprego do setor (44,2%). Na sequência, Serviços prestados principalmente às famílias, com cerca de 3,1 milhões de pessoas ocupadas; Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,8 milhões); Serviços de informação e comunicação (1,4 milhão); Outras atividades de serviços (735,2 mil); Serviços de manutenção e reparação (457,4 mil); e Atividades imobiliárias (416,6 mil).
Entre as atividades, Alimentação foi a principal empregadora, respondendo por 11,7% do pessoal ocupado no setor de serviços. Também apresentaram elevada participação Serviços técnico-profissionais (11,2%) e Serviços de escritório e apoio administrativo (8,3%), o que mostra a importância dessas atividades para a geração de empregos no setor.
Em 2024, as empresas prestadoras de serviços empregaram, em média, oito pessoas por empresa, resultado que evidencia a predominância de estabelecimentos de pequeno porte, embora existam diferenças expressivas entre as atividades econômicas. Os maiores portes médios foram observados em atividades de infraestrutura e transporte, especialmente Transporte ferroviário e metroferroviário (890 pessoas), Transporte dutoviário (467 pessoas) e Transporte aéreo (234 pessoas). Em contrapartida, Atividades imobiliárias de imóveis próprios (3 pessoas) apresentaram o menor porte médio, refletindo o predomínio de empresas de pequeno porte nessa atividade.
Serviços de informação e comunicação pagam o maior salário médio
Em relação ao salário médio do setor de serviços, o valor pago em 2024 foi de 2,2 salários-mínimos (s.m.). Os maiores salários médios foram registrados nos segmentos que demandam mão de obra altamente qualificada e apresentam elevada produtividade, com destaque para Serviços de informação e comunicação (4,5 s.m.), Outras atividades de serviços (2,9 s.m.) e Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,7 s.m.).
Por outro lado, os menores salários foram observados nos Serviços prestados principalmente às famílias, Atividades imobiliárias e Serviços de manutenção e reparação, cujos salários médios foram de 1,5 s.m..
As atividades do segmento de transportes ocuparam os 4 primeiros lugares no ranking de salários-médios. Transporte dutoviário apresentou a maior remuneração média (21,1 s.m.), seguida por Transporte aquaviário (6,9 s.m.), Transporte aéreo (6,6 s.m.) e Transporte ferroviário e metroviário (5,5 s.m.). Atividades dos serviços de tecnologia da informação ficaram em quinto lugar (5,2 s.m.), seguida de Serviços auxiliares financeiros, dos seguros e da previdência complementar (4,6 s.m.).
Sudeste foi responsável por 63,7% da receita bruta de serviços e Nordeste tem menor salário médio
Em 2024, a Região Sudeste gerou 63,7% da receita bruta total de prestação de serviços do Brasil, seguida pela Região Sul (15,6%), Nordeste (10,1%), Centro-Oeste (7,4%) e Norte (3,3%). O mesmo comportamento foi observado para as principais variáveis econômicas da pesquisa, como salários, retiradas e outras remunerações, número de empresas e pessoal ocupado. Já em relação à remuneração média mensal, a Região Sudeste teve o maior salário médio do setor, com 2,5 s.m. e, na sequência, vieram Sul (2,0 s.m.), Centro-Oeste (1,9 s.m.), Norte (1,7 s.m.) e Nordeste (1,6 s.m.).
Em todas as regiões, Serviços profissionais, administrativos e complementares mostraram maior participação na receita. No Sudeste, o segmento concentrou 29,3% do total, no Sul, 28,4%; Nordeste, 32,2%; Centro-Oeste, 28,2%; e no Norte, 28,9% do total da receita bruta.
São Paulo gerou 43,5% da receita bruta nacional de serviços
Entre os estados, em 2024, São Paulo respondeu por 43,5% da receita bruta nacional de prestação de serviços. Na sequência, destacaram-se Rio de Janeiro (10,1%), Minas Gerais (8,5%), Paraná (5,7%) e Santa Catarina (5,0%). A Bahia (2,9%), que tem a maior participação da receita da Região Nordeste, ficou na sétima posição, seguida pelo Distrito Federal (2,3%), primeiro no ranking do Centro-Oeste. No Norte, Amazonas (1,2%) ocupou a 14ª posição no ranking de participação de receita.
Em 23 das 27 UFs, a atividade de Serviços profissionais, administrativos e complementares foi a de maior receita bruta de prestação de serviços. Transporte rodoviário foi a atividade mais relevante em Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, enquanto no Amapá Armazenamento e atividades auxiliares aos transportes foi a principal atividade em receita bruta.
Fonte: Agência Gov / Governo Federal

