Rússia diz que morte de funcionária do instituto de pesquisa sobre a peste não representa risco de epidemia
O órgão regulador de saúde da Rússia, Rospotrebnadzor, afirmou que a morte de Darya Shipilova não representa risco de epidemia na Sibéria.
Cerca de 200 pessoas foram colocadas em quarentena após a morte da funcionária, mas 90% foram liberadas após exames laboratoriais negativos.
A OMS solicitou mais informações à Rússia para entender a causa da morte, enquanto o Kremlin criticou a disseminação de informações falsas na mídia.
Por Andrew Osborn e Jennifer Rigby
MOSCOU/LONDRES, 7 Out (Reuters) – O órgão regulador da saúde da Rússia afirmou nesta quarta-feira que não há risco de surto de epidemia na Sibéria após a morte de uma funcionária de um instituto especializado em peste na região, enquanto a Organização Mundial da Saúde pressionava Moscou por mais informações sobre a causa da morte.
Autoridades russas afirmam que a funcionária do laboratório, de 28 anos, morreu na última sexta-feira de pneumonia de origem ainda não determinada, em um caso que gerou preocupação internacional, inclusive por parte do presidente dos EUA, Donald Trump. Cerca de 200 pessoas foram inicialmente colocadas em quarentena.
Questionado na quarta-feira se a morte teria sido causada por uma arma biológica, Trump disse aos repórteres: “Bem, não achamos que seja o caso. Vamos descobrir em breve, mas não achamos que seja.”
Ele disse que a Rússia não está se pronunciando muito sobre a situação, mas “eles afirmam que têm tudo sob controle”, acrescentando que havia marcado uma ligação com o presidente russo, Vladimir Putin.
“Eles estão compartilhando (informações) um pouco com nosso pessoal. Esperamos que compartilhem muito mais com nosso pessoal”, disse Trump, falando no Salão Oval.
Autoridades globais de saúde — assim como a mídia mundial — têm estado particularmente atentas a casos de pneumonia de causa indeterminada desde a pandemia da Covid-19, que começou com um surto de doença respiratória fatal de rápida disseminação na China.
No entanto, muitas vezes não é possível determinar a causa de casos individuais de pneumonia.
A diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, Erica Schwartz, disse em um evento que a agência estava preparada para monitorar e examinar viajantes, embora o risco para os EUA fosse extremamente baixo.
A OMS inicialmente afirmou que estimava o risco do caso na Rússia para a população como baixo, com base no que havia sido divulgado, mas declarou em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira que não poderia fazer uma avaliação de risco mais completa devido à insuficiência de informações por parte das autoridades russas.
A Rospotrebnadzor, órgão de fiscalização sanitária da Rússia, informou nesta quarta-feira que estava encerrando as medidas de precaução que havia adotado após concluir que não havia risco de epidemia e que havia compartilhado suas informações mais recentes com a OMS.
Nenhum caso de peste foi detectado entre as pessoas que entraram em contato com a trabalhadora falecida, Darya Shipilova, informou o órgão, e 90% das pessoas colocadas em quarentena foram liberadas após quase 5.000 exames laboratoriais não terem detectado nenhum patógeno perigoso.
A agência afirmou que Shipilova havia sido vacinada e, portanto, estava “imune às infecções perigosas com as quais trabalhava”. No entanto, não informou o que causou a pneumonia que a levou à morte nem como ela adoeceu.
OMS SOLICITA MAIS INFORMAÇÕES
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS em Genebra, afirmou nesta quarta-feira que sua organização precisava de mais informações da Rússia para entender o que havia acontecido.
“Gostaríamos de obter mais informações para entender quais exames laboratoriais foram realizados, quais patógenos foram avaliados e, se essa pessoa não morreu de peste, então como ela morreu?”, disse Maria Van Kerkhove, diretora do Departamento de Gestão de Epidemias e Pandemias da OMS, em uma coletiva de imprensa virtual.
Tedros disse que a OMS havia oferecido assistência à Rússia e também reiterou o pedido para que a Rússia verifique as notícias da mídia sobre uma segunda pessoa com pneumonia de causa indeterminada.
KREMLIN CRITICA “INFORMAÇÕES FALSAS” NA MÍDIA
O Kremlin afirmou que a Rússia havia informado adequadamente a OMS sobre o incidente, de acordo com os procedimentos estabelecidos.
Quando questionado sobre o pedido da OMS para que se pronunciasse sobre as notícias de que uma segunda pessoa na Sibéria teria adoecido, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pediu cautela ao usar as reportagens da mídia como referência para o que estava acontecendo.
“Há uma grande cobertura da mídia, e a grande maioria do que a mídia está divulgando sobre essa situação é informação falsa”, disse Peskov.
Ele aconselhou a mídia e outras partes interessadas a se basearem nas informações fornecidas pela Rospotrebnadzor, órgão regulador de saúde da Rússia. O órgão não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters nesta quarta-feira sobre as perguntas da OMS.
CAUSA EXATA DA MORTE AINDA É DESCONHECIDA
Alguns veículos de comunicação ocidentais noticiaram — citando “mídia russa” não identificada — que uma segunda pessoa na Sibéria havia morrido, alegando que a morte teria sido causada pela peste.
A Reuters não conseguiu encontrar nenhuma notícia desse tipo na mídia russa nem qualquer evidência de que uma segunda pessoa na Sibéria tivesse morrido, embora alguns blogueiros nas redes sociais estivessem fazendo — sem evidências — tais afirmações.
Após a coletiva de imprensa, a OMS enviou à Reuters um link para uma matéria sobre um possível segundo caso publicada pela organização de mídia russa starhit.ru, um site de fofocas sobre celebridades, e uma reportagem de acompanhamento do jornal britânico Daily Mail.
Tedros disse que era importante ser transparente com base nas lições aprendidas com a Covid, acrescentando: “Na verdade, não temos qualquer mandato para verificar se essa mídia é confiável ou não.”
A Rússia não respondeu formalmente às notícias sobre a morte de uma segunda pessoa, disse Tedros, acrescentando que havia ouvido apenas informalmente que a Rússia havia negado essas notícias.
O apelo de Tedros por mais informações ecoou o do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que também afirmou que Moscou precisa compartilhar mais informações sobre o incidente.
A pneumonia, uma infecção pulmonar, pode ter diversas causas, incluindo a peste, bem como outras infecções bacterianas ou doenças respiratórias virais, como a gripe ou a Covid-19.
(Reportagem de Jennifer Rigby em Londres, Shubham Kalia em Bengaluru, Andrew Osborn, Anastasia Lyrchikova e Dmitry Antonov em Moscou e Bo Erickson em Washington; )
Fonte: Portal do Holanda

