Produção de carne bovina do Brasil pode recuar com restrições na China e UE, diz Abiec
As empresas de carne bovina do Brasil podem reduzir a produção devido à queda nas exportações para a China e incertezas com a União Europeia, segundo a Abiec.
A Abiec estima uma redução de 10% nas exportações de carne bovina do Brasil em 2026, com volumes entre 850 mil e 900 mil toneladas para a China.
O governo brasileiro está em negociações com a União Europeia, que retirou o Brasil de sua lista de fornecedores, podendo interromper as exportações a partir de setembro.
BRASÍLIA, 16 Jul (Reuters) – As empresas de carne bovina do Brasil, maior produtor e exportador global, podem reduzir atividades para lidar com desafios como a queda nos embarques para a China e incertezas nos negócios com a União Europeia, visando preservar suas margens, disse o presidente da associação das indústrias do setor, a Abiec, nesta quinta-feira.
Em um primeiro momento, os frigoríficos poderão vender mais carne no mercado interno para cumprir compromissos financeiros, o que aliviaria os preços no Brasil, mas isso seria provisório, avaliou Roberto Perosa, a jornalistas.
"No segundo momento… tendem a diminuir produção para manter margem e conseguir cumprir compromissos financeiros", afirmou.
"No curto prazo, pode ter arrefecimento, mas no médio prazo deve crescer preço no mercado interno", completou.
A Abiec manteve uma estimativa de redução de 10% nos volumes das exportações do Brasil em 2026 ante 2025, por conta das restrições tarifárias da China, que impôs uma cota muito inferior ao que o país exportou em 2025 para o seu principal mercado.
A exportação de carne bovina do Brasil para a China deverá ficar entre 850 mil e 900 mil toneladas em 2026, ante 1,65 milhão de toneladas em 2025, já que os chineses consideraram embarques do final do ano passado para preencher a cota de 1,1 milhão de toneladas com taxa mais baixa. A partir disso, a alíquota é de 55%.
Mas há incertezas adicionais em relação à União Europeia, que retirou o país de uma lista de fornecedores devido a questões sanitárias. O governo brasileiro negocia com os europeus, mas Perosa disse que há forte possibilidade de o Brasil parar de exportar à UE a partir de setembro.
(Por Marcela Ayres; texto de Roberto Samora e Eduardo Simões)
Fonte: Portal do Holanda

