PF prevê R$ 70 milhões para ampliar operações contra o crime na Amazônia
A Polícia Federal trabalha com a previsão de aproximadamente R$ 70 milhões para ampliar suas operações de enfrentamento ao crime organizado na região amazônica. Os recursos deverão financiar ações de inteligência, mobilização de policiais, contratação de aeronaves e operações de combate às atividades criminosas que avançam sobre o território e os rios da Amazônia.
A informação foi obtida pelo BNC Amazonas junto a uma fonte da Polícia Federal que acompanha o planejamento orçamentário da instituição.
Segundo a fonte, a previsão envolve duas linhas de financiamento: aproximadamente R$ 50 milhões em recursos do Fundo Amazônia, vinculados ao Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas), e outros R$ 20 milhões do orçamento próprio da Polícia Federal.
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Os valores ainda estão em fase de planejamento e não representam recursos integralmente liberados para execução.
A previsão surge num momento em que o país se prepara para implementar as mudanças estabelecidas pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, aprovada pelo Congresso Nacional na última terça-feira (3).
A nova legislação amplia as competências das forças federais de segurança e cria condições para fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas que atuam nas fronteiras e nas rotas de circulação de drogas e armas.
O planejamento informado ao BNC prevê que os recursos sejam utilizados principalmente no fortalecimento da capacidade operacional da PF.
Entre as despesas consideradas estão a contratação de aeronaves, o deslocamento de equipes, a mobilização de efetivos e a execução de operações em áreas de difícil acesso.
Na Amazônia, onde grandes distâncias e limitações logísticas dificultam a presença permanente do Estado, o transporte aéreo é fundamental para o deslocamento de equipes policiais.
A fonte também chama atenção para a relação entre o garimpo ilegal e a atuação das organizações criminosas.
Segundo a avaliação, essas atividades não podem mais ser enfrentadas de maneira isolada, porque frequentemente compartilham estruturas logísticas, rotas e mecanismos de financiamento.
O Plano Amazônia: Segurança e Soberania, conhecido como Plano Amas, constitui uma das principais iniciativas federais de fortalecimento da segurança pública na Amazônia Legal.
O programa conta com financiamento do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e envolve a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional e as forças estaduais de segurança.
O financiamento global contratado para o Plano Amas é de aproximadamente R$ 318 milhões, destinados ao fortalecimento da presença do Estado, à modernização de equipamentos, à inteligência policial e à realização de operações integradas.
A previsão de R$ 50 milhões mencionada pela fonte está relacionada ao planejamento de ações da Polícia Federal nesse contexto, não devendo ser confundida com o valor total do programa.
Para o Amazonas, o reforço operacional tem importância especial.
O estado possui fronteiras internacionais com Colômbia, Peru e Venezuela, além de uma extensa rede de rios utilizada para o transporte de passageiros, mercadorias e produtos destinados ao abastecimento das cidades do interior.
Essas mesmas rotas são exploradas por organizações criminosas envolvidas no tráfico internacional de drogas e em outras atividades ilícitas.
Regiões como o Alto Solimões, nas proximidades de Tabatinga, e o Alto Rio Negro, especialmente São Gabriel da Cachoeira, representam áreas estratégicas para a atuação das forças federais.
As organizações criminosas utilizam a complexidade geográfica da região para estabelecer corredores de transporte, pontos de apoio e estruturas de distribuição de drogas.
A ampliação das operações da Polícia Federal poderá fortalecer a capacidade de investigação e repressão a essas atividades, especialmente quando envolverem organizações com atuação interestadual ou internacional.
Outra mudança importante para a Amazônia está relacionada às atribuições da Polícia Rodoviária Federal.
A PEC da Segurança Pública amplia a possibilidade de atuação da instituição para além das rodovias, incluindo o policiamento ostensivo de ferrovias e hidrovias federais.
Na prática, a mudança abre caminho para uma presença mais estruturada da PRF nos rios utilizados como corredores de transporte e circulação de mercadorias.
A própria instituição informou que desenvolve estudos técnicos para preparar sua estrutura operacional, seus equipamentos e seu pessoal para as novas atribuições.
A implementação dependerá de regulamentação, planejamento e disponibilidade orçamentária.
Para o Amazonas, onde os rios cumprem a função que as estradas exercem em grande parte do país, a mudança poderá representar uma transformação importante na presença federal de segurança pública.
Foto: divulgação
Fonte: Cidades — BNC Amazonas

