Passaporte de Flávio Bolsonaro é apreendido após pedido da PF feito minutos depois da derrota
A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poucos minutos após a confirmação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25). A informação foi divulgada pela coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, nesta terça-feira (27).
Segundo a publicação, o pedido foi apresentado sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar matematicamente a derrota do senador. Moraes autorizou a medida ainda na noite de domingo, sem consultar previamente a Procuradoria-Geral da República (PGR). A ordem foi cumprida na manhã de segunda-feira (26), quando Flávio visitava o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
A decisão também determinou que Flávio entregue os passaportes comum e diplomático à Polícia Federal e o proibiu de deixar o Brasil. O caso tramita sob segredo de Justiça no STF.
Investigação envolve empresa em Portugal
Um dos principais fundamentos apresentados pela PF foi a identificação de Flávio Bolsonaro como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa administrada pelo advogado Willer Tomaz e registrada na Ilha da Madeira, em Portugal.
De acordo com informações divulgadas pelo UOL e confirmadas pela Folha de S.Paulo, esse perfil permitiria acesso e gerenciamento da conta empresarial. Registros analisados pelos investigadores indicariam que o senador manteve esse acesso até maio de 2025, quando foi solicitada sua exclusão do cadastro bancário.
A PF investiga possíveis relações financeiras entre Flávio e Willer Tomaz. O advogado também é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas esportivas e operações financeiras relacionadas à Loterj, a loteria do estado do Rio de Janeiro. As apurações integram investigações derivadas da Operação Sem Desconto, que apura irregularidades envolvendo descontos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A investigação está em fase de apuração. A existência de acesso a uma conta bancária, por si só, não comprova a prática de crime.
Declaração de Eduardo Bolsonaro também foi citada
O segundo argumento mencionado na representação policial foi uma declaração feita pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, durante entrevista ao podcast norte-americano Louder with Crowder, em 23 de outubro.
Na ocasião, Eduardo afirmou ser favorável à saída do irmão do Brasil caso ele perdesse a eleição presidencial. A declaração ocorreu dois dias antes do segundo turno e foi citada por Flávio ao comentar a decisão judicial.
Em manifestação pública, Flávio questionou a determinação de Alexandre de Moraes e afirmou que a decisão foi tomada logo após a divulgação do resultado eleitoral. O senador declarou que cumpriria a ordem e que apresentaria sua defesa. Ele também contestou a relação entre a fala do irmão e a restrição imposta pela Justiça.
Proibição de deixar o Brasil
A ordem de entrega dos passaportes foi cumprida na manhã de segunda-feira (26), durante a visita de Flávio Bolsonaro ao pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O senador afirmou que foi intimado por agentes da Polícia Federal ao deixar a residência.
A decisão de Alexandre de Moraes tramita sob segredo de Justiça. Até as informações divulgadas publicamente, a medida determina a entrega dos passaportes e impede que Flávio deixe o território nacional.
Fonte: Policial — Imediato
