Mundo

ONU pede que mundo se prepare para risco de calor extremo causado pelo El Niño

A Organização Meteorológica Mundial prevê um El Niño moderado a forte, elevando as temperaturas globais e aumentando o risco de eventos climáticos extremos.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, alertou sobre a necessidade de preparação para secas e chuvas intensas, além de ondas de calor.

Hein Schumacher, da Barry Callebaut, destacou que o El Niño pode reduzir as colheitas de cacau no Equador e na África Ocidental, impactando os preços dos alimentos.

GENEBRA, 2 Jun (Reuters) – A agência meteorológica das Nações Unidas previu nesta terça-feira um El Niño moderado ou possivelmente forte, que pode elevar as temperaturas globais e aumentar o risco de condições climáticas extremas nos próximos meses.

O El Niño é um aquecimento periódico das temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico central e oriental, que normalmente dura entre nove e 12 meses, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial.

A OMM disse que as águas quentes do oceano estão impulsionando o desenvolvimento do El Niño e previu temperaturas acima da média na maior parte do mundo de junho a agosto. A OMM disse que é provável que o El Niño continue até novembro.

Também disse que não se sabe ao certo qual será a intensidade do El Niño, pois os modelos diferem em sua gravidade, mas as autoridades alertaram sobre a necessidade de se preparar.

"Precisamos nos preparar para um evento El Niño potencialmente forte – que exacerbará a seca e as chuvas fortes e aumentará o risco de ondas de calor tanto na terra quanto no oceano", disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

O padrão climático é conhecido por perturbar os climas regionais, podendo trazer temperaturas mais altas em todo o mundo e, ao mesmo tempo, aumentar as chuvas no sul da América do Sul e nos Estados Unidos, em partes do Chifre da África e na Ásia Central.

O El Niño também pode causar secas na Austrália, América Central, Indonésia e partes do sul da Ásia, além de estimular a formação de furacões no Pacífico central e oriental, informou a OMM.

O último El Niño, que os meteorologistas disseram ter sido forte, entre 2023 e 2024, contribuiu para tornar 2024 o ano mais quente já registrado, disse Saulo.

Saulo disse que outros riscos associados ao calor extremo incluem uma maior disseminação de doenças transmitidas por vetores, como mosquitos e carrapatos, e redução do suprimento de alimentos e água.

"As comunidades que já estavam enfrentando dificuldades serão levadas muito além de seus limites", disse ela.

Para os consumidores, que enfrentam inflação devido à guerra do Irã, os preços dos alimentos podem aumentar ainda mais por causa do El Niño.

Hein Schumacher, presidente-executivo da Barry Callebaut, uma das maiores processadoras de cacau do mundo, alertou que as colheitas nas regiões de cultivo do Equador e da África Ocidental, que respondem por 60% da produção global, podem ser reduzidas.

"Isso é algo que estamos observando com muita cautela", disse ele à mídia em uma ligação na terça-feira. "O El Niño pode ter um efeito que pode levar a alguns milhares por tonelada."

Algumas agências meteorológicas nacionais previram o El Niño mais forte em uma década.

A OMM é mais cautelosa, mas disse que observou condições de subsuperfície anormalmente quentes em todo o Pacífico tropical, com temperaturas superiores a 6 graus Celsius acima da média, criando um reservatório de calor que está impulsionando o aquecimento da superfície.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que esse foi um lembrete da necessidade de uma mudança dos combustíveis fósseis para a energia renovável.

"O mundo deve tratar isso como um alerta climático urgente. As condições do El Niño colocarão lenha na fogueira de um mundo em aquecimento", disse ele.

(Reportagem de Olivia Le Poidevin; Reportagem adicional de Paolo Laudani, em Gdansk)


Fonte: Portal do Holanda

Leia a matéria original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *