Brasil

Observatório explica rara aproximação entre planetas e a Lua; fenômeno volta nesta 5ª

Dra. Josina Nascimento, astrônoma do ON, convida para live do ON no sábado

Na quarta-feira, 17 de junho, brasileiros de diversas regiões voltaram seus olhos ao céu para contemplar um evento astronômico diferenciado. O fenômeno reuniu corpos celestes visíveis a olho nu (Mercúrio, Vênus e Júpiter) em uma configuração que se destacou pela sua estética e proximidade aparente com a Lua.

Como o alinhamento de planetas ocorre com certa regularidade, a Dra. Josina Nascimento , astrônoma do Observatório Nacional (ON) , explica o que tornou esse evento excepcional: a forma como os astros se apresentaram visualmente.

“O que vimos ontem foi um fenômeno mais raro, porque eles (os planetas) apareceram alinhados, como sempre, mas aparentemente bem próximos e com a Lua fininha, aparentemente muito próxima de Vênus. É isso que tornou esse fenômeno raro”, afirmou a astrônoma. Vênus é o planeta mais brilhante do céu, seguido por Júpiter, e continuará visível após o pôr do sol até o mês de novembro.

O alinhamento ocorre porque os planetas visíveis a olho nu (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) possuem seus planos de órbita quase no mesmo plano da órbita da Terra em torno do Sol. E o mesmo para a Lua cujo plano de órbita é inclinado de apenas 5 graus em relação ao da Terra.

Por estarem nesse mesmo plano, os planetas e a Lua percorrem no céu quase o mesmo caminho aparente que o Sol faz, chamado de eclíptica . “Eles vão estar sempre nesse caminho da eclíptica, que é também o mesmo caminho onde estão as constelações zodiacais”, explicou a Dra. Josina, ressaltando que o fenômeno de aproximação aparente de pelo menos dois planetas acontece, em média, a cada 13 ou 15 meses. E, em todos os meses a Lua passeia por “perto” de todos os planetas. “É interessante acompanhar…olhar para o céu em todos os dias, observar onde está a Lua a cada dia e ver o caminho que ela percorre passando pelas constelações da faixa zodiacal e passando “perto” dos planetas.

Conjunção vs. ocultação

Tecnicamente, o encontro de dois corpos celestes em determinadas condições é chamado de conjunção. Em nossas redes sociais do Observatório Nacional temos divulgado no início de cada mês as conjunções que vão ocorrer entre planetas e entre Lua e planetas.

Muito mais rara é a ocultação de planetas pela Lua e, da mesma forma que o eclipse total ou anular do Sol, quando ocorre não é visto por todas as pessoas que estão vendo o Sol, mas somente em faixas sobre o planeta Terra. Em setembro de 2020 nós acompanhamos a ocultação de Marte pela Lua pelo Programa “Céu em sua Casa: observação remota”. E nesta 4a feira, dia 17, houve a ocultação de Vênus pela Lua , visível no Nordeste Brasileiro. Assim como em um eclipse solar, a Lua passou exatamente na frente de Vênus, fazendo o planeta “sumir” por alguns momentos. Embora não tenha sido vista no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a ocultação foi registrada por observadores da região Nordeste.

Guia de observação: do horizonte às estrelas

Para quem deseja identificar os astros, a astrônoma dá dicas. Júpiter, por estar em uma posição mais elevada no céu, permanece visível por bastante tempo. Mercúrio, no entanto, apresenta um desafio maior: “A condição essencial é ter o horizonte desobstruído, pois Mercúrio aparece bem próximo ao horizonte e se põe muito rapidamente após o pôr do Sol”, disse a astrônoma.

O que esperar para quinta (18) e sexta-feira (19)

A dinâmica celeste continua nos próximos dias, com a Lua mudando de posição devido à sua velocidade orbital. A Dra. Josina antecipa o que o público verá ao olhar para o horizonte após o pôr do sol: “nesta ordem, a partir do horizonte: Mercúrio, Júpiter, Vênus e Lua.”

• Quinta-feira (18): A Lua aparecerá mais alta que Vênus. “Se você esticar o braço e abrir a mão, é mais ou menos essa altura que a lua vai estar em relação a Vênus, que são 15º de arco”, explicou a Dra. Josina.

• Sexta-feira (19): A Lua estará ainda mais alta (equivalente a “duas mãos” acima de Vênus). Logo abaixo do satélite, será possível avistar Regulus, a estrela alfa da constelação de Leão.

Convite para live especial

Para aqueles que não conseguiram observar ou desejam ver registros profissionais, o Observatório Nacional realizará uma live especial no canal do YouTube no próximo sábado, 20 de junho. O evento faz parte do projeto ” O Céu em Sua Casa:observação remota “, que completa 6 anos este mês e exibirá imagens enviadas por parceiros e seguidores de todo o Brasil. Fenômenos como chuvas de meteoros e eclipses também são divulgados mensalmente nas redes sociais e no site do ON.


Fonte: Agência Gov / Governo Federal

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