Nova Engevix vence contratos de R$1,8 bi em retomada de planta de fertilizantes da Petrobras
A Nova Engevix, em parceria com a Powerchina, conquistou contratos de R$1,8 bilhão para retomar obras da UFN-III da Petrobras em Três Lagoas (MS).
Os contratos incluem projeto executivo e construção de sistemas essenciais, com previsão de geração de 1.800 empregos diretos no canteiro de obras.
A Petrobras assinou R$5 bilhões em contratos para a UFN-III, com início das operações previsto para 2029, atendendo 15% da demanda nacional de ureia.
RIO DE JANEIRO, 1 Jul (Reuters) – A Nova Engevix, do grupo Nova Participações, em parceria com a chinesa Powerchina, venceu três dos 11 lotes licitados pela Petrobras para a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), em contratos que somam investimento de R$1,8 bilhão, disse o acionista da companhia, José Antunes Sobrinho, à Reuters.
Os lotes conquistados pelo consórcio liderado pela Nova Engevix, com 60% de participação, incluem projeto executivo, construção e comissionamento do sistema de manuseio de ureia granulada, dos sistemas de geração de energia e vapor, da subestação principal e das unidades de ureia fundida e granulação.
A planta de fertilizantes havia tido suas obras paralisadas na década passada, como decorrência da operação Lava Jato, que investigou o envolvimento de empresas brasileiras e internacionais, políticos e executivos em esquemas de corrupção em contratos com a Petrobras.
Sobrinho afirmou que o projeto de retomada da UFN-III é "icônico" e "absolutamente necessário" para o país, uma potência global do agronegócio, que tem dependência elevada de fertilizantes importados.
"O maior resultado comercial da nossa carteira de exportação vem do agronegócio. Então, se você não tem o insumo básico, que é fertilizante — 80% é importado — isso gera um risco muito grande", disse Sobrinho.
Segundo Sobrinho, os contratos devem gerar 1.800 empregos diretos no canteiro de obras em Três Lagoas, enquanto a engenharia será feita a partir de São Paulo. Ele afirmou que a maior parte da mão de obra especializada terá de vir de outras regiões do país, dada a baixa disponibilidade local para um projeto desse porte.
Para o grupo, o contrato representa um avanço na recomposição da carteira de obras. Antunes disse que a divisão de construção busca atingir faturamento de cerca de R$2 bilhões, contando ainda com outros contratos, entre 2028 e 2029, ante cerca de R$400 milhões em 2025.
A Nova Engevix e empresas do grupo também foram afetadas pela crise que atingiu grandes companhias de engenharia após a operação Lava Jato.
Segundo Sobrinho, a empresa vem se recuperando gradualmente nos últimos anos, com atuação também em aeroportos, energia e no estaleiro Ecovix, em Rio Grande (RS). O estaleiro tem atualmente uma carteira de 11 embarcações contratadas junto à Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobras.
Para a retomada da construção da UFN-III, a Petrobras assinou um total de R$5 bilhões em contratos com diversas empresas e o começo dos trabalhos está previsto para ocorrer ainda neste mês.
As assinaturas ocorreram em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia demandado que a Petrobras buscasse retomar sua atuação na área de fertilizantes.
As obras devem gerar cerca de 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos, com o início das operações previsto para 2029, de acordo com a petroleira.
A capacidade nominal da UFN-III está projetada para 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, segundo dados da Petrobras. A expectativa é que a planta atenda cerca de 15% da demanda de ureia nacional.
(Por Marta Nogueira; edição de Letícia Fucuchima)
Fonte: Portal do Holanda

