Cidades

Multa milionária não evita que Águas de Manaus siga deixando buraqueira

Uma obra inacabada da Águas de Manaus se soma às denúncias sobre falhas nos serviços da concessionária na capital amazonense. Desta vez, o problema atinge uma moradora da rua Francisco Galvão, no bairro Novo Aleixo-Amazonino Mendes, zona Norte de Manaus. Desde sexta-feira (30 de outubro), ela enfrenta transtornos após funcionários da empresa abrirem um buraco na calçada, em frente à garagem de sua residência, e deixarem o serviço sem conclusão.

A equipe compareceu ao imóvel para instalar um hidrômetro subterrâneo, mas não levou o equipamento necessário. Segundo a moradora, os funcionários abriram a calçada, colocaram a terra de volta no buraco e deixaram o local sem a recuperação adequada. Desde então, a estrutura começou a ceder, dificultando a entrada e a saída do veículo e aumentando a preocupação com possíveis acidentes.

Ela afirma que procurou a concessionária diversas vezes, por canais de atendimento oficiais, redes sociais e ouvidoria. Apesar dos prazos informados anteriormente, nenhuma equipe retornou para concluir o serviço.

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Na manhã desta quarta-feira (4), funcionários da Águas de Manaus realizavam outra intervenção em uma residência em frente a sua casa. Ao relatar o problema, ela conseguiu que a equipe solicitasse à central o envio do hidrômetro necessário para finalizar a instalação. Entretanto, segundo a moradora, o pedido não foi atendido.

Concessionária reconhece atraso

Em conversa pelo canal de atendimento no WhatsApp, a Águas de Manaus confirmou que a solicitação de instalação, registrada em 3 de setembro, ainda estava em andamento. O atendimento reconheceu o atraso e informou que encaminharia uma notificação interna ao setor responsável, solicitando prioridade para a execução do serviço.

Ao ser questionada sobre uma previsão, a empresa afirmou que não havia recebido um novo prazo para a conclusão. Também explicou que não possui acesso direto à equipe responsável pelos trabalhos em campo.

Sem uma resposta concreta, a moradora voltou a cobrar providências e pediu que todas as tentativas de atendimento fossem registradas. Ela teme que o afundamento da calçada provoque um acidente e cobra a recuperação adequada do acesso à garagem.

Cobrança sem hidrômetro

Além da obra inacabada, a moradora questiona a cobrança mensal correspondente a 20 metros cúbicos de água, embora a residência nunca tenha contado com um hidrômetro instalado.

Segundo ela, há mais de seis meses tenta regularizar a situação. A moradora solicitou formalmente à concessionária os documentos e critérios técnicos utilizados para determinar o consumo estimado, incluindo informações sobre a quantidade de pontos de consumo identificados no imóvel e eventuais vistorias realizadas.

A tabela da própria Águas de Manaus prevê uma estimativa de 20 metros cúbicos mensais para imóveis classificados com cinco pontos de consumo. No entanto, ela quer saber quais informações justificam esse enquadramento em sua residência. Até o momento dos registros apresentados à reportagem, ela não havia recebido os esclarecimentos solicitados.

Águas de Manaus deixa buracos nas ruas e leva multa do município

Histórico de multas

O caso se soma a outras denúncias divulgadas pelo BNC Amazonas sobre problemas em obras e intervenções da Águas de Manaus, especialmente buracos, falhas na recuperação do pavimento e transtornos provocados por serviços da concessionária.

Em fevereiro de 2026, a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman) multou a empresa em R$ 254,7 mil por irregularidades na sinalização de obras.

Já em agosto, outras duas multas somaram R$ 968,5 mil após fiscalizações identificarem vazamentos, danos ao pavimento e descumprimento de obrigações contratuais na zona norte da capital.

O caso reforça uma cobrança que vai além das multas e fiscalizações: a responsabilidade da empresa de entregar serviços completos, recuperar os espaços afetados pelas intervenções e garantir que os transtornos das obras não sejam transferidos aos moradores.

Fotos: cedidas ao BNC Amazonas


Fonte: Cidades — BNC Amazonas

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