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Manifestantes pedem que Fifa exclua Irã da Copa do Mundo, citando envolvimento do regime

Iranianos-americanos protestam em Los Angeles pedindo a exclusão do Irã da Copa do Mundo, citando o uso da competição para "lavar a imagem" do regime.

Manifestantes expuseram fotografias de atletas iranianos mortos sob custódia do governo, destacando a repressão a dissidentes desde a Revolução Islâmica de 1979.

A seleção iraniana afirmou que não jogará se bandeiras ou slogans críticos forem exibidos, enquanto manifestantes planejam levar a bandeira pré-revolucionária ao estádio.

LOS ANGELES, 10 Jun (Reuters) – Em vez de orgulho, muitos iranianos-americanos sentem vergonha pela participação da seleção iraniana na Copa do Mundo e estão cobrando que a Fifa expulse o país da competição, disseram manifestantes nesta quarta-feira.

A presença da seleção é motivo de indignação para muitos que veem o governo iraniano usando a competição como uma forma de “lavar a imagem” do assassinato de dezenas de milhares de dissidentes desde a Revolução Islâmica de 1979, com milhares mortos ainda em janeiro durante protestos generalizados. Essas mortes incluíram centenas de atletas, segundo os manifestantes.

“Trazê-los para cá e fazê-los jogar basicamente apresenta uma imagem de calma para o mundo, quando, na verdade, no país não há calma, há apenas execuções e sofrimento causados pelo regime”, disse Ryan Salami, de 21 anos, nascido nos Estados Unidos e cujos pais fugiram do Irã, em entrevista durante um protesto em frente à Prefeitura de Los Angeles.

Muitos manifestantes apoiaram o apelo do Conselho Nacional de Resistência do Irã para que o Irã fosse expulso do torneio. Fotografias de dezenas de atletas iranianos que morreram sob custódia do governo foram expostas em uma galeria improvisada ao ar livre em frente à Prefeitura de Los Angeles. Oradores, incluindo alguns ex-jogadores da seleção iraniana, lamentaram a morte de atletas que, segundo eles, morreram após se oporem ao governo e serem detidos.

“Esta é a equipe dos aiatolás”, afirmou Asghar Adibi, membro da seleção iraniana em 1970, à multidão. Ele disse que a equipe é controlada pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e que é errado permitir que uma organização “que mata pessoas, que tortura pessoas, tenha uma equipe representando-a”.

Os manifestantes tinham opiniões diversas sobre se os próprios jogadores iranianos deveriam ser vistos como parte do regime. Salami disse que simpatiza com jogadores que talvez sejam apenas atletas que precisam permanecer em silêncio e obedientes para evitar o destino de jogadores anteriores que se rebelaram.

Outra manifestante disse à Reuters que a Guarda permitiria apenas a entrada de seguidores leais na equipe porque, em sua opinião, não quer correr nenhum risco de deserções. Portanto, os jogadores deveriam ser vistos como pouco melhores que colaboradores.

Outra afirmou que os jogadores estão sendo usados como ferramentas para ajudar o governo iraniano a ter uma boa imagem no cenário mundial e que merecem pouca compaixão.

“Todos eles estão ligados ao regime de alguma forma”, disse Peymaneh Shafi, que afirmou ter se tornado uma opositora do governo iraniano depois que homens armados atiraram em seu professor na sua frente. “Esses são os verdadeiros atletas”, disse, apontando para as fotografias de atletas perseguidos pelo governo iraniano.

Após o protesto, que incluiu discursos e apelos por uma mudança de regime em Teerã, os manifestantes marcharam no parque ao lado da prefeitura.

A Fifa e a seleção iraniana não responderam ao pedido de comentário da Reuters em um primeiro momento.

A seleção iraniana afirmou que deixará de jogar se bandeiras proibidas ou slogans críticos aparecerem nas partidas.

Será que os iranianos-americanos tentarão levar escondida a bandeira iraniana pré-revolucionária com o leão e o Sol para o estádio SoFi e desdobrá-la quando a seleção iraniana jogar?

“100%”, disse Nasrin Saifi, que chegou aos EUA um ano antes da revolução islâmica, quando tinha 17 anos. Em 1998, ela contrabandeou uma camiseta com a imagem da bandeira proibida quando os EUA jogaram contra o Irã em Lyon, na França, durante a Copa do Mundo.

Ela tem um ingresso para a primeira partida do Irã, na segunda-feira, em Los Angeles, mas não tem certeza se irá.


Fonte: Portal do Holanda

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