Lavouras de trigo do RS sentem excesso de chuvas, mas Emater mantém estimativa de safra
As chuvas excessivas no Rio Grande do Sul prejudicaram parte das lavouras de trigo, mas a Emater mantém a estimativa de produção em 2,2 milhões de toneladas.
A produção gaúcha representa uma queda de 36,4% em relação à temporada anterior, devido à redução da área plantada por causa do fenômeno El Niño.
A umidade elevada tem favorecido doenças fúngicas, impactando a qualidade e a produtividade das lavouras, que estão em sua maioria em desenvolvimento vegetativo.
SÃO PAULO, 21 Ago (Reuters) – As chuvas que atingem a safra de trigo do Rio Grande do Sul prejudicaram parte das lavouras do Estado, o principal produtor do Brasil nos últimos anos, mas a estimativa oficial da safra gaúcha não foi alterada, afirmou a Emater nesta sexta-feira.
"As lavouras de trigo apresentam desenvolvimento regular no Rio Grande do Sul, parcialmente prejudicado pelo excesso de precipitações, pela persistência de nebulosidade e pela baixa disponibilidade de radiação solar", afirmou o boletim semanal do órgão de assistência técnica vinculado ao governo gaúcho.
"Apesar das limitações meteorológicas, o potencial produtivo permanece, em geral, satisfatório", declarou.
A produção do Rio Grande do Sul foi estimada inicialmente em 2,2 milhões de toneladas, queda de 36,4% na comparação com a temporada anterior, com produtores reduzindo a área plantada, em parte por temerem os efeitos das chuvas associadas ao fenômeno climático El Niño no Sul do país.
Com uma produção menor também no Paraná, outro importante Estado produtor, as importações de trigo pelo Brasil devem atingir patamares próximos de recorde de mais de 7 milhões de toneladas em 2026/27 (agosto/setembro), segundo dados da estatal Conab.
A elevada umidade no Rio Grande do Sul tem aumentado a pressão de doenças fúngicas, especialmente oídio, manchas foliares e ferrugens, que podem reduzir a qualidade e a produtividade. Além disso, eventuais chuvas na colheita também são danosas.
"Nas áreas em floração, a elevada umidade do solo vem restringindo o trânsito de máquinas e reduzindo as janelas para a aplicação de fungicidas", acrescentou.
Conforme o boletim semanal, as condições climáticas reduziram a taxa de crescimento e retardaram o desenvolvimento de parte das lavouras.
A maioria das lavouras está em desenvolvimento vegetativo, representando 82% da área. As parcelas implantadas precocemente avançam para a floração, com 14%, e para o enchimento de grãos, com 4%, segundo a Emater.
(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)
Fonte: Portal do Holanda

