Islândia convoca embaixador dos EUA após Trump publicar mapa que anexa o país
O governo da Islândia convocou o embaixador dos EUA, Billy Long, para discutir a publicação de um mapa por Donald Trump que anexa o país.
A chanceler Thorgerdur Katrin Gunnarsdottir classificou a divulgação como completamente inadequada e expressou o desconforto do governo islandês.
A convocação do embaixador é um gesto diplomático significativo, especialmente considerando a dependência da Islândia em relação à segurança dos EUA.
Mapa publicado por Donald Trump nas redes sociais mostra a Islândia sob a bandeira dos Estados Unidos
O governo da Islândia convocou nesta segunda-feira (7) o embaixador dos Estados Unidos em Reykjavík, Billy Long, para prestar explicações sobre uma imagem divulgada por Donald Trump nas redes sociais. Na publicação, feita na plataforma Truth Social, o presidente americano exibiu um mapa em que a ilha aparece coberta pela bandeira dos Estados Unidos, ao lado de Canadá, Groenlândia, México, América Central e Caribe, todos identificados como território americano.
A chanceler islandesa Thorgerdur Katrin Gunnarsdottir afirmou, por meio do ministério das Relações Exteriores, que a divulgação foi completamente inadequada. Long, que assumiu formalmente o posto em agosto, foi chamado para ouvir o desconforto do governo local com o conteúdo. A convocação de um embaixador é um dos gestos diplomáticos mais duros adotados por um país sem que haja ruptura de relações.
O episódio ganha peso porque a Islândia não tem Forças Armadas próprias. Membro fundador da Otan, o país depende da aliança militar e de um acordo bilateral de defesa assinado com os americanos em 1951 para garantir sua segurança. O incômodo aparece poucas semanas depois de os islandeses rejeitarem, em referendo realizado no fim de agosto, a retomada das negociações de adesão à União Europeia.
A publicação também reacende o desgaste provocado pelas investidas de Trump sobre a Groenlândia. Desde o início do ano, o republicano defende repetidamente a incorporação do território autônomo dinamarquês aos Estados Unidos, alegando razões de segurança nacional, o que já vinha tensionando a relação entre Washington e Copenhague, duas capitais igualmente fundadoras da Otan.
Fonte: Portal do Holanda

