Irã questiona compromisso dos EUA com iniciativas de paz enquanto Israel ataca o Líbano
O negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf questionou o compromisso dos EUA com a paz após ataques israelenses ao Líbano, complicando as negociações de um acordo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, esperavam a assinatura do acordo com o Irã, mas o cronograma está incerto.
O rascunho do acordo prevê a liberação de US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados em troca do compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares.
Por Muhammad Al Gebaly e Elwely Elwelly e Phil Stewart
DUBAI/WASHINGTON, 14 Jun (Reuters) – O principal negociador do Irã questionou o compromisso dos Estados Unidos com os esforços de paz após Israel realizar novos ataques ao Líbano, diminuindo as perspectivas de Teerã e Washington assinarem um acordo preliminar neste domingo para encerrar a guerra.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o Paquistão, mediador do acordo, disseram no sábado esperar que o acordo fosse assinado neste domingo, mas Teerã levantou dúvidas sobre o cronograma e manifestantes linha-dura no Irã manifestaram oposição.
Negociadores do Catar viajaram para Teerã na manhã deste domingo como parte de um esforço para finalizar o acordo, disse à Reuters uma fonte com conhecimento da situação.
Mas o negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf afirmou que o ataque de Israel neste domingo aos subúrbios do sul de Beirute, que Israel afirmou ter como alvo militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã, mostrou que os EUA não têm vontade nem capacidade de cumprir seus compromissos.
"Se você não tem a vontade e a capacidade de cumprir seus compromissos, falar em continuar o caminho não é possível", escreveu ele no X, em uma aparente referência às iniciativas de paz.
Mohammad Jafar Assadi, vice-comandante do principal comando militar conjunto do Irã, foi citado pela mídia estatal dizendo que os "crimes" israelenses nos subúrbios do sul de Beirute não ficariam impunes.
Iniciada em 28 de fevereiro, a guerra dos EUA e Israel contra o Irã acirrou o conflito entre Israel e o Hezbollah, grupo alinhado ao Irã, no Líbano, e Israel já afirmou que não faz parte do acordo entre os EUA e o Irã.
O Exército israelense afirmou neste domingo que o Hezbollah lançou três projéteis contra comunidades no norte de Israel, violando o cessar-fogo no Líbano.
Em seguida, Israel disparou contra o que chamou de alvos do Hezbollah no bairro de Dahiyeh, em Beirute, num ataque que, segundo a defesa civil libanesa, matou três pessoas.
A Fox News citou um diplomata não identificado envolvido nas negociações, que afirmou que os ataques israelenses estavam complicando os esforços para finalizar o acordo EUA-Irã e os descreveu como uma tentativa de sabotar esses esforços.
Israel não respondeu imediatamente à afirmação.
Israel afirmou que manterá a liberdade de operações no Líbano, enquanto Teerã incluiu um cessar-fogo total como componente importante de suas exigências para o acordo.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também entrou em conflito com Trump devido às exigências dos EUA para que Israel limite a ação militar no Líbano, a fim de permitir que Washington chegue a um acordo com Teerã.
INCERTEZA QUANTO AO MOMENTO DA ASSINATURA
Milhares de pessoas foram mortas, principalmente no Irã e no Líbano, desde que os EUA e Israel iniciaram os ataques. O Irã atacou Israel e os países do Golfo que abrigam bases norte-americanas e bloqueou efetivamente o Estreito de Ormuz, uma via crucial para o abastecimento global de petróleo. O bloqueio elevou os preços globais da energia, enquanto a Marinha dos EUA bloqueou portos iranianos.
Fonte: Portal do Holanda

