Cidades

Feira Sesc: livros de Hatoum, Wilson Nogueira e Thiago são mais vendidos

Os três livros com selo da editora Valer mais vendidos na 41ª Feira do Livro do Sesc Amazonas foram “A natureza como ficção”, do escritor Milton Hatoum; “Do outro lado do sol: um massacre no rio Andirá”, do escritor e jornalista Wilson Nogueira, e “Estatutos do homem”, do poeta Thiago de Mello (falecido).

O evento foi realizado desde o dia 9 de outubro até 1º deste mês, no centro de convenções Vasco Vasques, em Manaus.

A Valer participou da feira com um estande 48 m2, onde estiveram expostos os principais dos dois mil títulos publicados desde a sua fundação, em 1991.

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Hatoum, autor de uma dezena de livros publicados pela editora Companhia das Letras (SP) e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), foi o homenageado oficial do evento e cumpriu uma agenda de palestras e sessões de autógrafos.

Ele também tem no currículo três prêmios Jabuti, o concurso literário mais respeitado e conhecido do Brasil.

Seus livros premiados são: “Relato de um certo Oriente” (1989), “Dois irmãos” (2000) e “Cinzas do Norte” (2005), todos romances.

O livro mais recente de Hatoum é “Dança de enganos”, da trilogia “O lugar mais sombrio” (2025), antecedido de “A noite da espera” e “Ponto de fuga”.    

A natureza como ficção faz parte para da coleção Reflexões amazônicas, organizada e publicada pela Valer para divulgar e debater temas clássicos e contemporâneos dos diversos gêneros literários na pan-Amazônia.

“Do outro lado do sol”

O mais recente livro de Wilson Nogueira (Valer), “Do outro lado do sol: um massacre no rio Andirá”, foi lançado em março deste ano em Manaus, Parintins (AM) e Santarém (PA).

 Nesses oito meses, conquistou centenas de leitores que o colocaram entre os dez livros do gênero romance mais vendidos do portifólio da Valer.

O livro resgatou a história do massacre de cinco crianças, mais a mãe delas com um bebê de 8 meses no vente, no rio Andirá, no município de Barreirinha (AM), em 1956.

Todas as vítimas pertenciam à mesma família de imigrantes japoneses que participaram do projeto de colonização do empresário e político japonês Tsukasa Uyetsuka em terras do Amazonas, fundado em 1931, na sede administrativa de Vila Amazônia, no município de Parintins.

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O narrador procura desfiar o novelo do episódio que ocorre em ambiente ainda contaminado pelos efeitos da propaganda de guerra do governo brasileiro contra cidadãos de países aliados dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, caso do então império japonês.

Nogueira explicou que o massacre é o pano de fundo do contexto sociocultural da imigração, do pós-guerra e da economia da juta no Amazonas, inaugurada por cidadãos japoneses.

“É gratificante saber que o meu livro está bem recepcionado”, disse.

“Estatutos do homem”

O livro-poema de Thiago de Mello foi publicado pela primeira vez em abril de 1964, em Santiago do Chile, no livro “Faz escuro, mas eu canto”, obra traduzida em mais de trinta línguas.

O poema destaca-se pela sua força simbólica em defesa da vida, da liberdade e da justiça justa. Thiago o compôs no Chile, onde era adido cultural do governo João Goulart, que acabara de ser suprimido pela ditadura.

Com o golpe militar de 1973 contra o governo chileno de orientação socialista, comandado por Salvador Allende, Thiago percorreu vários países como cidadão brasileiro exilado. Assim, ele se tornou uma das vozes poéticas engajadas na derrubada das ditaduras na América Latina.

Thiago de Mello faleceu em 14 de janeiro de 2022, em Manaus, aos 95 anos.

Confira a lista top 10 das publicações da Valer

* “A natureza como ficção”, de Milton Hatoum;

* “Do outro lado do sol”, de Wilson Nogueira;

* “Estatutos do homem”, de Thiago de Mello;

* “Antes o mundo não existia”, de Firmino Arantes Lana e Luiz Lana;

* “A lenda da vitória-régia”, Neiza Teixeira (org.),

* “Boi-bumbá: a espetacularização do imaginário amazônico”,  de Wilson Nogueira;

* “Vidas secas”, de Graciliano Ramos;

* “Memórias de menino”, de Odenildo Sena;

* “Amazônia e a  cobiça internacional”, de Athur Cezar Ferreira Reis; e

* “Paiz do Amazonas”, de Marilene Corrêa.

Ranking geral

Entre os livros de outras editoras no estande da Valer, os líderes de venda são:

* “Eu duvido você terminar esse livro” (Planeta), de Giuliana Mafra;

* “A natureza como ficção”, de Milton Hatoum;

* “Do outro lado do sol: um massacre no rio Andirá”, de Wilson Nogueira.

Fotos: Divulgação


Fonte: Cidades — BNC Amazonas

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