‘Desafios se multiplicam, mas solidariedade internacional encolhe’, diz Lula, na Cúpula do G7
Convidado para o encontro em Évian, na França, presidente brasileiro alertou para a necessidade dos países mais ricos se empenharem mais nos esforços para reduzir a desigualdade no planeta
Ao discursar nesta terça-feira, 16 de junho, como convidado da Cúpula do G7, realizada em Évian, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou dos países mais ricos mais empenho no apoio às nações mais pobres, de modo a reduzir a desigualdade no planeta.
“Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe. A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo. Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”, afirmou Lula.
Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe (…) Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”
Os desafios se multiplicam, mas a solidariedade internacional encolhe (…) Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica”
“No ano passado, registramos queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento. O Programa Mundial de Alimentos perdeu cerca de 40% de seu financiamento. A Organização Mundial da Saúde e o UNICEF reduziram seus orçamentos em mais de 20%. Guerras e conflitos também continuam desviando o foco da agenda do desenvolvimento. Os gastos militares anuais somam quase 3 trilhões de dólares”, lembrou o líder brasileiro, que ressaltou que essa realidade afetam a vida de milhões de pessoas em diversas regiões.
Íntegra do discurso do presidente Lula na Cúpula do G7, em Évian, na França
“Não são cifras abstratas. Elas impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento. São milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada; crianças sem frequentar a escola; mulheres privadas de proteção; e comunidades vulneráveis diante de doenças que podem ser prevenidas. O mundo em desenvolvimento transfere 1,4 trilhão de dólares por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos”, prosseguiu Lula.
GEOPOLÍTICA – Ainda se referindo à realidade atual da geopolítica, o presidente do Brasil frisou que o neoliberalismo, em sua defesa de uma mínima intervenção do Estado na economia, ampliou as desigualdades ao redor do globo. Lula também voltou a alertar para os riscos à democracia enfrentados por diversos países. “Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, alertou.
EXEMPLOS DO BRASIL – Para Lula, apesar das dificuldades apresentadas, existem caminhos a serem seguidos capazes de reverter as desigualdades. “Precisamos de um sistema financeiro no qual os países não sejam obrigados a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças. Está claro que o desafio não é administrar a escassez. O déficit que enfrentamos é de implementação e de vontade política”, destacou.
CRIMES TRANSACIONAIS – O presidente brasileiro elogiou o G7 no empenho ao combate ao tráfico de drogas, mas lembrou que essa missão não pode ser feita em apenas uma frente e que, para isso, a cooperação internacional é um pilar determinante. “A Declaração de Líderes do G7 sobre o Combate ao Tráfico de Drogas é um passo positivo. Mas o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos, como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas”, afirmou Lula.
IA E MINERAIS CRÍTICOS – Ao final, Lula enfatizou que as discussões em torno da Inteligência Artificial e dos minerais críticos devem ser mantidas quando se debate os processos de desenvolvimento internacional. “Outro desafio que não pode permanecer excluído do debate sobre parcerias para o desenvolvimento é o acesso a tecnologias de ponta, como a Inteligência Artificial. As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores”, defendeu.
“Os países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais”, concluiu o presidente.
Fonte: Agência Gov / Governo Federal

