Como Copa do Mundo com 64 seleções pode transformar economia do futebol
Gianni Infantino, presidente da Fifa, sugere a possibilidade de uma Copa do Mundo com 64 seleções após o torneio de 2026.
A expansão exigiria mais infraestrutura, como estádios e transporte, além de impactar financeiramente as eliminatórias regionais.
Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, e Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, da Confederação Asiática, expressaram oposição à ideia de ampliação do torneio.
Por Ossian Shine e Michael Church
DALLAS, 21 Jul (Reuters) – A primeira Copa do Mundo com 48 seleções mal terminou, mas o presidente da Fifa, Gianni Infantino, já admitiu a possibilidade de que o maior torneio do futebol do mundo possa, um dia, crescer ainda mais — uma mudança que pode alterar fundamentalmente a economia do esporte.
Em entrevista à televisão suíça durante o torneio, o presidente da Fifa afirmou que uma Copa do Mundo com 64 seleções está entre as ideias que podem ser analisadas assim que a edição de 2026 terminasse, reabrindo o debate sobre até que ponto o principal evento do esporte pode, de fato, crescer.
As implicações logísticas de uma nova expansão são óbvias. Um torneio maior exigiria mais estádios, mais hotéis, mais transporte e, muito provavelmente, mais tempo.
Mas as implicações financeiras poderiam se mostrar ainda mais significativas. Ao facilitar a classificação para muitas das maiores nações do futebol, um torneio com 64 seleções poderia reduzir o valor comercial das eliminatórias para o Mundial, ao mesmo tempo em que aumentaria a importância do próprio evento principal da Fifa.
Se as emissoras atribuírem menos valor às eliminatórias, as seis confederações regionais do futebol poderiam se tornar cada vez mais dependentes das distribuições da própria Fifa, transferindo potencialmente mais influência financeira — e poder — para o órgão regulador global.
“Não acho que seja uma boa ideia para a própria Copa do Mundo, e também não é uma boa ideia para nossas eliminatórias. Portanto, não apoio essa ideia”, disse o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, no ano passado. A posição do órgão regulador europeu não mudou desde então.
O presidente da Confederação Asiática de Futebol, Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, também manifestou oposição, questionando no ano passado até onde essa expansão poderia chegar.
A Fifa não respondeu aos pedidos de comentário.
“Acho importante que, quando se quer organizar uma Copa do Mundo, isso seja feito para o mundo inteiro — não apenas para a Europa e a América do Sul”, disse Infantino ao discutir a ideia de um torneio ampliado. “Se não dermos aos países menores a chance de participar da Copa do Mundo, eles perderão o incentivo para continuar melhorando.”
(Reportagem de Ossian Shine e Michael Church)
Fonte: Portal do Holanda

