China e Brasil se comprometem a resistir conjuntamente aos desafios externos
A China e o Brasil firmaram compromisso de enfrentar desafios externos e aprofundar a cooperação em reunião entre os ministros Wang Yi e Mauro Vieira.
Os dois países, membros do Brics, buscam promover uma ordem mundial multipolar e reduzir a influência dos Estados Unidos nas instituições globais.
O Brasil condenou a designação de facções criminosas como terroristas pelos EUA, enquanto a China reafirmou apoio à soberania e desenvolvimento brasileiro.
2 Jun (Reuters) – A China e o Brasil devem "enfrentar conjuntamente os desafios externos", disse o ministro das Relações Exteriores da China ao seu colega brasileiro em Pequim na segunda-feira, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China.
Os dois países concordaram em aprofundar a cooperação, salvaguardar a paz e a estabilidade mundiais e defender os direitos e interesses dos países em desenvolvimento.
O ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, manteve o que a China chamou de "diálogo estratégico" com o ministro brasileiro Mauro Vieira.
Como membros importantes do grupo Brics de nações em desenvolvimento, Pequim e Brasília estão pressionando por uma ordem mundial multipolar, buscando diluir o domínio dos Estados Unidos nas instituições financeiras e políticas globais.
A reunião ocorreu depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou a decisão dos Estados Unidos designarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais, chamando a medida de interferência indevida nos assuntos internos de seu país.
O anúncio dos Estados Unidos foi feito após os esforços de lobby em Washington pelos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em uma reunião com Trump na semana passada em Washington, o senador brasileiro Flávio Bolsonaro, que está se preparando para concorrer à presidência, disse que havia pedido aos Estados Unidos que classificassem as facções criminosas como terroristas.
Wang disse que a China "apoia o Brasil na salvaguarda de sua soberania nacional, mantendo sua independência e autonomia e alcançando um maior desenvolvimento." A declaração do Ministério das Relações Exteriores não abordou diretamente a designação dos Estados Unidos.
Wang e Vieira também "conduziram uma comunicação estratégica abrangente e aprofundada sobre questões internacionais e regionais de interesse comum, chegando a um amplo consenso", disse o comunicado. Eles pediram mais certeza no que chamaram de um mundo turbulento.
Embora o Brasil tenha enfrentado uma pressão crescente de Washington para limitar seus laços com Pequim, os dois países têm colaborado ativamente em questões de segurança global, incluindo esforços diplomáticos no conflito na Ucrânia.
A China é o maior parceiro comercial do Brasil, e o Brasil é um grande exportador de soja, carne bovina e minério de ferro para a China.
(Reportagem da redação de Pequim; escrito por Farah Master)
Fonte: Portal do Holanda

