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Banco de areia no meio do Madeira é risco na rota Manaus-Porto Velho

Um banco de areia se formou no meio do rio Madeira, em frente à cidade de Nova Olinda do Norte, no terço médio do rio. A imagem registrada por leitor do BNC Amazonas durante a vazante mostra a chamada praia ocupando parte do canal por onde passam as embarcações que ligam Manaus a Porto Velho.

Nova Olinda do Norte fica a cerca de 130 quilômetros de Manaus por via fluvial. É nesse trecho, usado diariamente por moradores e por embarcações de carga, que o banco de areia surgiu no meio do Madeira.

O fenômeno é frequente nos rios do Amazonas nesta época do ano. Ele ocorre pelo deslocamento de areia e barro, provocado pela força da correnteza. Na vazante, com o nível mais baixo, esses bancos emergem e mudam o leito navegável de um ano para o outro.

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O problema é que o Madeira não é balizado. Sem sinalização atualizada, o navegante precisa contar com o conhecimento local do canal, que muda a cada vazante, para desviar da areia, reduzir a velocidade e evitar um encalhe.

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Corredor sem alternativa

O Madeira é a principal via de escoamento entre Manaus e Porto Velho. Com a BR-319 intrafegável em seu trecho do meio, de cerca de 400 dos seus mais de 800 quilômetros, é pelo rio que chegam produtos da Zona Franca de Manaus (ZFM), além de alimentos, combustível, medicamentos e outros suprimentos.

Por esse corredor passam balsas, empurradores e comboios que abastecem não só as duas capitais, mas comunidades ribeirinhas ao longo de todo o trajeto. Um encalhe pode interromper esse abastecimento e colocar em risco tripulantes e passageiros.

O alerta é maior neste ano. O Madeira fechou setembro abaixo do nível de referência para impor restrições à navegação. Em Porto Velho, o rio marcou 3,07 metros em 30 de setembro, após cair 1,37 metro durante o mês. A referência para iniciar restrições é de 4 metros, e 2 metros é o limite considerado para paralisação das operações.

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Concessão revogada, problema mantido

O Madeira chegou a ser incluído no Programa Nacional de Desestatização pelo decreto 12.600/2025, em um trecho de 1.075 quilômetros entre Porto Velho e Itacoatiara.

Em fevereiro de 2026, o governo federal revogou o decreto que incluía as hidrovias do Madeira, Tocantins e Tapajós no programa, uma das etapas do plano de conceder a gestão dessas vias à iniciativa privada.

O modelo em discussão previa delegar à empresa vencedora manutenção, dragagem, sinalização, gestão de tráfego e monitoramento ambiental, sem transferir a posse do curso d’água.

Com a revogação, o debate continua em aberto: quem vai fazer dragagem, balizamento e monitoramento permanente do rio?

Em maio de 2026, o governo federal assinou contrato de R$ 123,6 milhões para garantir navegabilidade no Madeira, no trecho entre Porto Velho e a foz, próximo a Itacoatiara, no rio Amazonas.

O banco de areia em frente a Nova Olinda do Norte não é um caso isolado, mas não é comum. Ele é um retrato da vazante amazônica, e um aviso.

Enquanto o rio não tiver balizamento e monitoramento contínuo, cada praia que surge no meio do Madeira é um novo risco no caminho de quem abastece a Amazônia.

Onde fica

Nova Olinda do Norte, no terço médio do Madeira, a cerca de 130 km de Manaus por rio. Viagem de até 6 horas de ajato e cerca de 15 horas de barco regional.

Fotos: José Reginaldo Pereira/cortesia para o BNC Amazonas


Fonte: Cidades — BNC Amazonas

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