Forças dos EUA realizam novos ataques contra Irã, depois de Trump declarar que acordo “acabou”
As Forças Armadas dos EUA lançaram novos ataques contra o Irã, visando garantir a navegação no Estreito de Ormuz, após declaração de Donald Trump sobre o fim do acordo.
Os ataques, que afetaram cidades iranianas como Bandar Abbas e Chabahar, foram uma retaliação a agressões anteriores contra navios comerciais na região.
Trump afirmou que não espera um retorno à guerra em grande escala, mas os últimos ataques elevaram os preços do petróleo para US$ 79,28 por barril.
Por Humeyra Pamuk e Gram Slattery e Tala Ramadan
ANCARA/DUBAI, 8 Jul (Reuters) – As Forças Armadas dos EUA anunciaram nesta quarta-feira que estavam lançando novos ataques contra o Irã com o objetivo de manter aberto ao tráfego o estratégico Estreito de Ormuz, poucas horas depois de o presidente Donald Trump ter declarado que um acordo provisório para pôr fim à guerra estava “encerrado”.
A última rodada de ataques, que segundo os Estados Unidos foi lançada em resposta ao ataque de terça-feira contra três navios de carga que transitavam pelo estreito, abalou várias cidades ao longo da costa sul do Irã e deixou algumas áreas sem energia elétrica.
“As forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM) começaram a realizar ataques adicionais contra o Irã para enfraquecer ainda mais a capacidade do país de ameaçar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”, escreveu o CENTCOM, comando militar dos EUA no Oriente Médio, no X.
“Os Estados Unidos estão responsabilizando o Irã pela recente agressão injustificada contra a navegação comercial e tripulações civis que navegavam livremente por uma via navegável internacional vital.”
Os ataques desta quarta-feira contra o Irã serão em maior número do que os realizados na terça-feira, disse uma autoridade norte-americana à Reuters, falando sob condição de anonimato.
“Isso é uma retaliação ao bombardeio de navios pelo Irã ontem. Se isso acontecer de novo, vai ficar muito pior!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
O controle do estreito, por onde passava um quinto do abastecimento global de petróleo antes do início da guerra com os ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, deu a Teerã imensa vantagem, permitindo-lhe efetivamente forçar um impasse com as forças armadas mais poderosas do mundo. Embora o Irã não tenha assumido a responsabilidade pelos ataques aos navios, analistas afirmam que Teerã usa tais ações para ganhar vantagem nas negociações.
A mais recente escalada abalou as esperanças de transformar um memorando de entendimento assinado em 17 de junho em um acordo permanente para pôr fim à guerra. O Irã afirmou nesta quarta-feira ter atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuweit em resposta a ataques anteriores dos EUA contra infraestruturas, que por sua vez foram uma retaliação aos ataques aos navios.
Questionado antes de uma cúpula da Otan na Turquia nesta quarta-feira se o memorando de entendimento havia chegado ao fim, Trump disse: “É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles.”
“Se fizermos um acordo com o Irã, não tenho certeza de que ele vai durar”, disse Trump mais tarde. “Achei que eles são pessoas muito desonrosas.”
Mas Trump, que ameaçou repetidamente intensificar a ação militar antes de recuar, disse que não esperava um retorno à guerra em grande escala e que não estava claro se as negociações para chegar a um acordo permanente continuariam.
Em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira à tarde, Trump disse que não achava que a guerra recomeçaria: “Tudo o que acontecer vai acabar muito rapidamente… e só vai tornar a situação mais segura, inclusive para o petróleo.”
Os últimos ataques dos EUA elevaram os preços do petróleo em mais de US$ 1 por barril nas negociações pós-mercado nesta quarta-feira, com os futuros do petróleo Brent cotados a US$79,28 por barril. Mesmo assim, os preços permaneceram bem abaixo do pico registrado no final de abril, de mais de US$120 por barril.
GRANDE CIDADE PORTUÁRIA ATINGIDA POR ATAQUES
A agência de notícias estatal do Irã informou sobre explosões em várias cidades ao longo da costa sul do país, do Estreito de Ormuz ao Golfo de Omã. Entre os locais atingidos estava Bandar Abbas, que abriga o maior porto do Irã e instalações-chave operadas tanto pela Marinha iraniana quanto pela Guarda Revolucionária.
Os ataques também atingiram Konarak e Chabahar, onde a mídia iraniana relatou quedas de energia e danos a uma torre de controle de tráfego marítimo. Explosões também foram relatadas na cidade de Iranshahr, no sudeste do país, de acordo com a Agência de Notícias Mehr.
O Nournews, afiliado ao principal órgão de segurança do Irã, citou uma fonte militar iraniana afirmando que o Irã planejava lançar em breve um “ataque maciço” contra bases militares dos EUA na região, em retaliação.
Antes dos novos ataques dos EUA nesta quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, havia afirmado que os ataques dos EUA violavam o memorando ao contestar uma cláusula que “enfatiza a responsabilidade da República Islâmica do Irã em determinar as medidas para a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz”.
Um porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento afirmou que as opções de retaliação incluíam a retirada do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), a alteração da doutrina nuclear do Irã e o fechamento do Estreito de Bab-el-Mandeb, na foz do Mar Vermelho, outra rota marítima global crucial.
Fonte: Portal do Holanda

