Curva de juros tem inclinação no Brasil com mercado vendo Copom leniente com a inflação
As taxas dos DIs de curtíssimo prazo caem, enquanto as de prazos longos sobem, refletindo a postura "dovish" do Banco Central após o corte da Selic.
O Copom reduziu a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, e adiou a meta de inflação para o primeiro trimestre de 2028.
Analistas indicam que há chances de novos cortes na Selic em agosto e setembro, influenciados pela comunicação do Banco Central e expectativas externas sobre o Federal Reserve.
SÃO PAULO, 18 Jun (Reuters) – As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curtíssimo prazo operam em baixa nesta quinta-feira, enquanto as taxas com prazos longos têm altas firmes, com o mercado de juros reagindo ao comunicado do Banco Central na véspera, visto como mais "dovish" (suave) no combate à inflação, e ao aumento das apostas de que o Federal Reserve subirá juros até o fim do ano.
Às 12h39, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,255%, em baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 14,303% da sessão anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,6%, com alta de 25 pontos-base ante o ajuste de 14,349%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou na noite de quarta-feira um corte de 25 pontos-base da taxa básica Selic, para 14,25% ao ano. Ao mesmo tempo, adotou na visão de vários analistas uma postura “dovish” (mais suave no combate à inflação), ao estender o horizonte relevante da política monetária — do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028 — para que a inflação possa convergir à meta de 3%.
Na prática, o BC "adiou" o atingimento da meta de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, reforçando a percepção de que pode haver novo corte da Selic em agosto.
"A curva (de juros) não tem juízo de valor. A parte curta fecha porque entende-se que o BC quer continuar cortando (a Selic), e a longa abre porque entende-se que haverá mais inflação no longo prazo e que os juros estarão mais altos", avaliou Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management.
"Se o BC quer cortar agora, em algum momento no futuro as taxas terão que ser mais altas", disse Olivares, ao justificar a inclinação da curva nesta quinta-feira.
Alguns analistas ouvidos pela Reuters nesta quinta-feira pontuaram que o comunicado até mesmo traz a possibilidade, após nova flexibilização em agosto, de um corte adicional da Selic em setembro — algo que até então estava totalmente fora do radar.
"Hoje, à luz do que se tem hoje, a chance de corte em agosto aumentou. Em agosto vem (corte da Selic) e em setembro também há uma chance", disse o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano.
"Eu esperava por uma comunicação que elevasse a barra para mais um corte da Selic (em agosto). Agora o raciocínio é o contrário: o BC só não vai cortar a taxa se não der", acrescentou.
Em análise publicada após a decisão, a equipe da Genial Investimentos também viu uma comunicação "dovish".
“O grande destaque ficou por conta justamente da rolagem do horizonte relevante em um trimestre à frente, sinalizando que o comitê… opta por buscar uma justificativa que sustente um corte de juros, mostrando uma postura mais propensa a riscos inflacionários”, avaliou a Genial.
Alguns analistas ouvidos pela Reuters ponderaram que, ao sinalizar mais leniência com a inflação, o BC pode impactar negativamente as expectativas do mercado para a inflação.
Fonte: Portal do Holanda

