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Após rastrear ouro, PF vai identificar origem da madeira extraída no Brasil

Depois de desenvolver tecnologia científica para identificar a origem do ouro apreendido em operações contra o garimpo ilegal, a Polícia Federal prepara um novo projeto para enfrentar outro importante vetor de crimes ambientais na Amazônia: a exploração e o comércio ilegal de madeira.

Batizado de ProFlora, o projeto prevê a criação de um laboratório de rastreabilidade florestal com tecnologia semelhante à utilizada pelo Laboratório de Geoquímica Forense do Programa Ouro Alvo, inaugurado na terça-feira (3 de novembro).

O anúncio do programa “Madeira Alvo” foi feito pelo diretor de Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, Humberto Freire de Barros, durante a solenidade de inauguração do laboratório do Ouro Alvo.

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Ao apresentar a iniciativa, o dirigente afirmou que a PF busca novos investimentos do Fundo Amazônia para ampliar a estrutura de investigação científica e incorporar equipamentos de alta precisão à identificação da origem de produtos florestais.

“É o ProFlora para gente rastrear madeira através do emprego de equipamentos de vanguarda como é no Ouro Alvo. Temos muitos projetos”, afirmou Freire.

Em entrevista ao BNC Amazonas, o diretor da PF explicou que o projeto pretende utilizar características físico-químicas da madeira para determinar sua procedência geográfica.

Uma das possibilidades tecnológicas é a análise de isótopos, que permite identificar diferenças relacionadas às condições ambientais das regiões onde as árvores cresceram.

Segundo Freire, mesmo madeiras de uma mesma espécie podem apresentar assinaturas isotópicas distintas dependendo de sua origem. Uma amostra retirada de determinada área do Pará, por exemplo, pode apresentar características diferentes de outra extraída de uma região de Mato Grosso.

“Então, ainda que seja a mesma vegetação, os isotópicos são diferentes”, explicou.

Desse modo, a tecnologia poderá oferecer à perícia criminal uma ferramenta adicional para verificar se a madeira apreendida corresponde à origem declarada nos documentos de transporte e comercialização.

Com isso, a PF pretende ampliar a capacidade de identificar possíveis fraudes na cadeia produtiva florestal e produzir provas científicas para investigações de crimes ambientais.

Rastreabilidade além do ouro

A proposta de ampliar a perícia científica para outros produtos florestais também foi mencionada pelo diretor técnico-científico da Polícia Federal, Roberto Reis Monteiro Neto.

Durante o lançamento do laboratório Ouro Alvo, ele relatou que a instituição já apresentou iniciativas de rastreamento de ouro e madeira em discussões internacionais sobre o enfrentamento aos crimes ambientais.

Assim, a estratégia da PF busca fortalecer a capacidade brasileira de identificar a procedência de recursos naturais e compartilhar metodologias periciais com outros países.

Dessa forma, com o ProFlora, a Polícia Federal pretende estender à cadeia da madeira uma estratégia de investigação que ganhou impulso com o Ouro Alvo: utilizar ciência e equipamentos de precisão para produzir evidências sobre a origem de produtos naturais, combater fraudes e fortalecer as cadeias produtivas legais da Amazônia.

Recursos do Fundo Amazônia e BNDES

A diretora socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Tereza Campello, informou que o Fundo Amazônia está financiando o plano “Amazônia Mais Segura e Sustentável” (Amas), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, com um total de R$ 318 milhões.

Desse total, aproximadamente R$ 150 milhões são destinados à Polícia Federal e R$ 49,7 milhões ao projeto “Ouro Auge”, focado na identificação de garimpo ilegal e rastreamento de ouro.

Ainda, segundo Tereza Campello, o BNDES está envolvido na negociação para apoiar um próximo laboratório voltado para madeira, aguardando a apresentação do projeto.

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“Os recursos do Fundo Amazônia passam por um processo de apresentação e avaliação de projetos. O Ministério da Justiça e a Polícia Federal estão apresentando a segunda fase do Plano Amas, que será avaliado pelo Ministério do Meio Ambiente. Mas, nós queremos, sim, continuar investindo nessa ação, que é uma ação muito estratégica para Brasil todo”, declarou a diretora socioambiental do BNDES.

Foto: Divulgação


Fonte: Cidades — BNC Amazonas

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