Cidades

JBS é suspeita de crime ligado ao desmatamento na Amazônia

A JBS, maior empresa de processamento de carnes do mundo, foi alvo de 14 denúncias apresentadas nesta quinta-feira (5) em quatro países europeus por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada ao desmatamento ilegal na Amazônia brasileira.

As acusações foram encaminhadas por organizações da Coalizão Jurídica Transnacional (TLC) às autoridades do Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Países Baixos. O grupo também pede a abertura de uma investigação criminal contra a controladora da JBS, sediada nos Países Baixos.

As denúncias têm como base um levantamento da organização AidEnvironment, que relacionou fornecedores diretos e indiretos da empresa a 6,5 milhões de hectares desmatados na Amazônia desde 1988. Desse total, 3,4 milhões de hectares estariam associados a fornecedores diretos e 3,2 milhões a indiretos.

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A investigação cruzou registros de transporte de gado, cadastros de propriedades rurais e dados de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram identificados 12.576 fornecedores nos estados de Mato Grosso, Pará e Tocantins.

Suspeita de lavagem de dinheiro

Segundo a coalizão, o gado criado em áreas desmatadas ilegalmente pode ser considerado produto de origem ilícita. Assim, os recursos obtidos com sua comercialização e movimentados no sistema financeiro internacional poderiam configurar lavagem de dinheiro.

As denúncias também envolvem bancos, investidores, auditores e prestadores de serviços que mantêm relações com a empresa, entre eles instituições ligadas à gestora BlackRock e ao Banco do Brasil.

O que diz a JBS

Em resposta ao Brasil de Fato, a JBS contestou as acusações e afirmou que a organização responsável pelo levantamento não apresentou a metodologia nem os dados utilizados na investigação.

A empresa declarou que monitora seus fornecedores na Amazônia desde 2010, por meio de imagens de satélite e georreferenciamento. Segundo a companhia, o sistema analisa diariamente mais de 600 mil quilômetros quadrados e bloqueia propriedades com desmatamento ilegal, sobreposição com áreas protegidas e outras irregularidades, incluindo trabalho análogo à escravidão.

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Foto: Operação Verde Brasil/divulgação


Fonte: Cidades — BNC Amazonas

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