Estudantes vão à ALE-AM cobrar deputados pela defesa do passe livre
Estudantes que acamparam desde quarta-feira (4) na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) ocuparam o plenário da Casa, nesta quinta-feira (5), para cobrar dos deputados uma solução para a suspensão do passe livre em Manaus. A mobilização ocorre mesmo após uma decisão judicial determinar a retomada das recargas do benefício.
Representando o movimento estudantil, Gabriel Tavares destacou os prejuízos causados pela interrupção do transporte gratuito, especialmente às vésperas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
“Nós estamos aqui há 24 horas. Esse passe livre é fundamental para os estudantes chegarem até suas escolas. Faltam três dias para o Enem, enquanto isso, os empresários fazem jogo de interesse. Não vai ter corte, vai ter luta”, afirmou.
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A estudante Vitória Gomes também pediu apoio dos parlamentares e anunciou a continuidade da ocupação enquanto não houver uma solução.
“Precisamos que os deputados peguem na nossa mão. A gente sabe que a educação é uma arma fundamental, mas os estudantes não conseguem ir à aula, mais de 30 mil estudantes estão sendo prejudicados. Nós vamos manter nossa ocupação, queremos reabrir a negociação para conseguir a vitória”, declarou.
Durante a sessão, o deputado estadual Sinésio Campos (PT) criticou a suspensão das recargas e alertou para os impactos no calendário escolar, especialmente durante as avaliações do último bimestre e a preparação para vestibulares.
O parlamentar também cobrou a apresentação das planilhas de custos do transporte coletivo e esclarecimentos sobre os valores envolvidos no financiamento do benefício. Representantes do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) eram esperados na Assembleia às 10h, mas não compareceram.
A deputada estadual Joana Darc (União Brasil) também defendeu o cumprimento da determinação judicial. “O Sinetran não pode simplesmente suspender um direito. O que precisamos é da transparência e do cumprimento da decisão judicial”, afirmou.
Já o deputado Ednailson Rozenha (PSD) criticou a situação e destacou a importância dos recursos públicos para o funcionamento das empresas de transporte.
“Os estudantes não tem culpa. Eles precisam estudar. Não há dúvida que os custeios do governo e prefeitura salvam essas empresas. Esse desrespeito com todos é latente. Parabéns aos estudantes pela luta, vamos em frente”, declarou.
A mobilização é articulada pela União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM), União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas (UESA), União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). As entidades defendem a manutenção da gratuidade e a participação dos alunos nas negociações.
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Impasse sobre os pagamentos
A suspensão das recargas começou na terça-feira (3). O Sinetram alega que o Governo do Amazonas possui pagamentos pendentes referentes ao custeio do passe livre. Já o Estado contesta parte das cobranças, que também são discutidas judicialmente.
Na quarta-feira (4), o juiz Ronnie Frank Torres Stone determinou o restabelecimento dos créditos em até 24 horas após a intimação do sindicato, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. Apesar da decisão, os estudantes ainda relatam dificuldades para utilizar o benefício.
Com a negociação ainda sem desfecho, o movimento estudantil mantém a ocupação da Assembleia a e exige que o acesso às escolas não fique condicionado à disputa financeira entre o governo e as empresas de ônibus.
Foto: reprodução/YouTube ALE-AM
Fonte: Cidades — BNC Amazonas

