Cidades

Amazonense, Índia prega perseguição a eleitor de Lula e vira alvo

A deputada estadual amazonense Índia Armelau (PL-RJ) virou alvo de uma ação civil pública e de uma ordem judicial após incentivar empresários a fiscalizar as redes sociais de funcionários e dispensar eleitores do presidente Lula da Silva (PT).

Nascida em Manaus e com mandato no Rio de Janeiro, a parlamentar também atacou o Nordeste ao defender uma divisão do país por preferência política.

A repercussão ultrapassou as redes sociais. O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) pediu indenização de R$ 500 mil por dano moral coletivo, enquanto autoridades da área trabalhista condenaram a iniciativa e alertaram empresários sobre as consequências da perseguição política no emprego.

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Na terça-feira (27 de outubro), a Justiça do Trabalho acolheu parcialmente os pedidos urgentes do MPT e proibiu Índia Armelau, que não se declara indígena à Justiça eleitoral, de incentivar empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas.

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Fiscalização do voto

Na postagem que motivou a ação, Armelau orientou empresários a procurar nas redes sociais dos empregados manifestações de apoio a Lula.

Em seguida, associou esse voto a uma suposta hostilidade aos empregadores, sugerindo que esses trabalhadores não deveriam ser mantidos nas empresas.

Para o MPT, a mensagem estimula assédio eleitoral e discriminação por convicção política.

O órgão destacou que o alcance de uma autoridade pública pode induzir empregadores a considerar legítima a retaliação contra trabalhadores.

A procuradora Fernanda Diniz sustenta que a conduta busca penalizar empregados pelo exercício da liberdade de voto e da cidadania.

O Ministério Público também rejeita o uso da imunidade parlamentar como proteção para discursos discriminatórios.

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Reação das autoridades

O secretário municipal de Trabalho e Renda do Rio, Manoel Vieira, classificou a proposta como “infeliz e absurda”, segundo reportagem do Brasil de Fato.

Ele fez um apelo para que empresários não adotem a conduta e alertou para o risco de responsabilização.

Na mesma manifestação, o superintendente regional do Trabalho no Rio, Cláudio Secchin, advertiu que o caso pode suscitar denúncia criminal. Orientou trabalhadores perseguidos a procurar o sindicato da categoria, o serviço Alô Trabalho, pelo telefone 158, ou o canal de denúncias do MPT.

As manifestações colocam no centro da controvérsia a tentativa de transformar a relação de emprego em instrumento de punição pelo voto.

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Ataque ao Nordeste

Em vídeo divulgado após a repercussão, a deputada insistiu na campanha para que empresários não contratem pessoas que, segundo ela, odeiam empregadores.

Também defendeu que conservadores recrutem trabalhadores com o mesmo pensamento político.

Armelau afirmou que apoiadores do PT deveriam ir para o Nordeste e associou a região à violência, ao analfabetismo e à pobreza, conforme registros de Veja e Gazeta do Povo.

As referências foram usadas para desqualificar uma região inteira a partir da escolha eleitoral de sua população. As alegações sobre rankings de cidades foram apresentadas pela parlamentar sem indicação de fonte nos relatos consultados.

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Ordem judicial

Ao analisar a ação, o juiz Leonardo Saggese Fonseca ressaltou que uma parlamentar deve promover a democracia e respeitar as diferentes escolhas políticas dos cidadãos, evitando discursos capazes de estimular ódio e discriminação.

Além de interromper o incentivo à perseguição, Armelau deve remover as publicações que originaram o processo.

A decisão estabeleceu prazo de 48 horas e multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento, a partir do primeiro dia útil seguinte ao término desse prazo.

O pedido de R$ 500 mil por dano moral coletivo ainda é uma pretensão do MPT, e não uma condenação definitiva. O processo tem o número 0101606-05.2026.5.01.0003.

Deputada alega equívoco

Em nota reproduzida pela Agência Brasil, Armelau negou preconceito e afirmou defender o respeito às opções políticas dos trabalhadores.

A parlamentar atribuiu o episódio a um “equívoco interpretativo”. Alegou que havia replicado uma postagem de terceiro e que sua preocupação seria com sabotagem contra empresas. Disse ainda ter apagado os conteúdos ao perceber que fora mal interpretada.

A justificativa contrasta com a avaliação do MPT sobre o incentivo à discriminação e com a decisão judicial que proibiu a continuidade da conduta.

De Manaus à ALE-RJ

Armelau nasceu em Manaus, iniciou a trajetória na natação e se mudou para o Rio de Janeiro para seguir no esporte.

Foi eleita para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 2022 e reeleita neste ano como a candidata mais votada para a casa.

O BNC Amazonas já havia registrado sua origem amazonense e a trajetória política no estado fluminense.

Foto: Divulgação Alerj


Fonte: Cidades — BNC Amazonas

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