Ataques mantêm aeroporto de capital saudita fechado esta semana
Autoridades sauditas prorrogam fechamento do Aeroporto Internacional Rei Khalid até 17 de outubro devido a ataques dos houthis, que resultaram em 13 mortes e mais de 300 feridos.
Companhias aéreas, como Lufthansa e Air France-KLM, cancelaram voos para Riad, afetando 46,4% dos voos em todos os aeroportos sauditas.
Analistas preveem uma contração de 3,6% no PIB da Arábia Saudita este ano, impactado pelos conflitos e pela redução das atividades relacionadas ao petróleo.
Por Gianluca Lo Nostro e Menna AlaaElDin e Joanna Plucinska
12 Out (Reuters) – Autoridades sauditas prorrogaram o fechamento do aeroporto internacional de Riad até sábado e companhias aéreas cancelaram voos depois que os ataques contínuos dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, esvaziaram os céus sobre a capital da Arábia Saudita.
As operações no Aeroporto Internacional Rei Khalid, o segundo mais movimentado da Arábia Saudita depois de Jidá, foram suspensas para “permitir a conclusão dos procedimentos necessários para garantir a segurança e a prontidão operacional das instalações do aeroporto”, informou a autoridade de aviação civil saudita em comunicado.
No final desta segunda-feira, os houthis afirmaram terem atacado o aeroporto com um míssil balístico, logo após a Arábia Saudita ter informado que havia interceptado e destruído um míssil balístico disparado pelo grupo em direção a Riad.
Os houthis também afirmaram em um comunicado que atacaram uma base aérea em Khamis Mushait, no sudoeste do reino, com um drone. Não houve confirmação imediata da Arábia Saudita.
Um Aviso aos Pilotos emitido nesta segunda-feira indicou que o Aeroporto Internacional Rei Khalid permanecerá fechado até as 21h GMT de 17 de outubro.
O aeroporto está fechado desde um ataque ocorrido no sábado, que matou 13 pessoas e feriu mais de 300, o mais mortal no reino em mais de uma década. No domingo, outro ataque matou uma pessoa e feriu quase uma dúzia de outras.
Os ataques representaram uma das maiores perturbações na aviação saudita dos últimos anos, aumentando as pressões sobre um setor que já enfrenta conflitos em todo o Oriente Médio e preços mais altos de combustível de aviação.
“Esse nível de ataques intensos e contínuos contra a aviação civil não tem precedentes”, disse Mark Zee, fundador da OPSGROUP, uma organização que presta consultoria em segurança da aviação. “Acho que isso exige que repensemos como vemos o panorama atual de riscos para agimos com muito cuidado”, disse ele.
O rastreador de tráfego aéreo Flightradar24 mostrou que aeronaves estão evitando Riad nesta segunda-feira, embora jatos estivessem cruzando o espaço aéreo saudita e pousando em Jidá, na costa oeste do país.
Os cancelamentos em todos os aeroportos sauditas chegaram a 46,4%, informou a empresa de análise de aviação Cirium.
A perturbação forçou companhias aéreas na Europa e na Ásia a suspenderem seus serviços e a agência de aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) aconselhou as companhias aéreas norte-americanas no domingo a terem cautela ao voarem para ou sobre a Arábia Saudita. A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) ampliou, na sexta-feira, um alerta sobre o espaço aéreo saudita, citando ataques com mísseis e drones.
“O impacto vai além da Arábia Saudita, atingindo toda a região e suas conexões globais”, afirmou o analista de aviação John Strickland.
A OPSGROUP recomendou que as companhias aéreas evitem completamente o corredor aéreo do sul sobre o Oriente Médio e sigam uma rota da Europa para a Ásia passando pela Ásia Central.
Isso acrescenta uma “distância considerável” a algumas rotas e “elimina as opções de chegar a Dubai e Abu Dhabi para a maioria das companhias aéreas ocidentais”, disse Zee.
O Grupo Lufthansa cancelou todos os voos para Riad até 16 de outubro, enquanto a Air France-KLM prorrogou a suspensão dos voos de e para Riad até o final do mês. A Etihad Airways, de Abu Dhabi, também prorrogou cancelamentos.
A Delta Air Lines informou que está adiando os voos programados de Atlanta para Riad, que inicialmente deveriam começar em 23 de outubro, até março de 2027.
A escalada do conflito com os houthis gerou preocupações quanto ao impacto econômico mais amplo. Analistas estimam que o PIB real da Arábia Saudita sofra uma contração de 3,6% este ano, refletindo uma combinação de fatores, incluindo a redução das atividades relacionadas ao petróleo.
Os ataques colocaram sob pressão os eventos programados para este mês em Riad, incluindo a principal conferência de investimentos do reino e o Congresso de Energia da WPC, de onde vários altos executivos do setor petrolífero foram retirados da programação.
Fonte: Portal do Holanda

