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IA é híbrida e funciona melhor com participação humana, diz pesquisador

Palestra no Observatório Nacional analisa interação da Inteligência Artificial com os humanos. André Fonseca, da UFRJ, é o primeiro palestrante de nova agenda de capacitações do ON

O Observatório Nacional (ON/MCTI) realizou em 13 de agosto a palestra “Hibridização humano-IA: quem está adotando quem?”, marcando o início de uma nova agenda de capacitações voltada à modernização institucional. O evento, ocorrido no Auditório Yeda Ferraz, contou com a presença do diretor do ON, Dr. Jailson Souza de Alcaniz , e de diversos servidores e colaboradores interessados nos impactos da inteligência artificial (IA) na gestão e na pesquisa.

A fronteira serrilhada e a superioridade do híbrido

Um dos pontos centrais da palestra foi o conceito de “fronteira serrilhada” (jagged frontier). Segundo o Dr. André, a eficácia da IA não é uniforme: ela é extremamente produtiva em certas tarefas, mas ineficaz em outras que, por vezes, parecem similares.

Ao comentar sobre a performance do trabalho conjunto, o palestrante ressaltou a importância da colaboração: “Os dados demonstram que o modelo híbrido apresenta resultados superiores tanto ao humano isolado quanto à própria inteligência artificial operando de forma autônoma. Felizmente, e aqui cabe um ‘ufa’, nós ainda mantemos um papel fundamental e essencial nesse processo”.

O Dr. André alertou que a percepção sobre a IA precisa ser constantemente atualizada devido à velocidade das mudanças tecnológicas. Para ele, qualquer avaliação sobre a capacidade dessas ferramentas deve ser datada para manter a precisão.

“Toda vez que realizarmos uma afirmação sobre as capacidades da Inteligência Artificial, é muito útil colocar uma vírgula ao final e acrescentar a palavra ‘hoje’. Afinal, estamos tratando de um alvo em constante movimento, de uma evolução que é contínua e acelerada”.

O professor ilustrou essa evolução mencionando que a qualidade dos textos gerados por IA desde 2023 tornou a distinção entre a produção humana e a artificial cada vez mais desafiadora.

Ética e aceitação social

O palestrante também abordou a resistência cultural às novas tecnologias, comparando a IA à transição histórica das réguas de cálculo para as calculadoras eletrônicas, que eventualmente se tornaram o padrão aceito na comunidade científica. Ele utilizou um exemplo prático de um diagnóstico médico em um plantão de madrugada para justificar o uso intensivo de tecnologia: “Em uma tarefa tão específica quanto um diagnóstico de madrugada, realizado por alguém que talvez seja menos experiente, eu desejaria que todos os recursos tecnológicos estivessem à disposição dessa pessoa. É preciso entender que, a depender da tarefa, o julgamento sobre o valor da ação tecnológica se altera completamente”.

Compromisso com a inovação

Para o Dr. Diogo Pereira , Coordenador de Administração do ON, iniciativas como esta são vitais para o “ON do Futuro”. Ele destacou que o objetivo é fortalecer uma cultura de inovação onde novas ideias e boas práticas sejam incorporadas ao cotidiano da instituição, potencializando o desenvolvimento de competências para enfrentar temas emergentes.

A palestra encerrou-se com uma reflexão sobre os riscos associados, como alucinações de dados e o viés algorítmico, provocando o público a pensar sobre o que deve permanecer estritamente humano em um ambiente de trabalho cada vez mais híbrido.


Fonte: Agência Gov / Governo Federal

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