Irã desafia pressão sobre o estreito e Trump diz a norte-americanos para aceitarem preços altos da gasolina
O Irã desafiou os EUA, afirmando que o Estreito de Ormuz será controlado por suas decisões, enquanto a guerra com os EUA e Israel persiste.
Donald Trump alertou os norte-americanos sobre a continuidade dos altos preços da gasolina, que aumentaram 29% em um ano, devido ao conflito com o Irã.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou novas sanções contra o Irã, enquanto a navegação pelo Estreito de Ormuz permanece severamente afetada.
Por Eman Abouhassira e Enas Alashray e Humeyra Pamuk
15 Ago (Reuters) – O Irã pediu aos Estados Unidos que aceitassem a derrota, enquanto o presidente Donald Trump classificou o país como “muito maligno” e disse aos norte-americanos que se preparassem para a continuidade dos altos preços dos combustíveis devido à guerra.
O avanço das negociações de paz e o tráfego de petroleiros pelo estratégico Estreito de Ormuz continuavam paralisados, sem sinais de que as partes em conflito estivessem se movendo para encerrar a guerra iniciada pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro.
“Este estreito será aberto e fechado apenas sob o comando do Irã e, enquanto vocês não aceitarem a realidade da derrota e não deixarem de alimentar fantasias, o Irã continuará a impor o bloqueio”, escreveu o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, na rede X na manhã deste sábado.
GASOLINA NOS EUA SOBE 29% EM UM ANO; IRÃ TAMBÉM SENTE O IMPACTO
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que o Irã ainda não decidiu retomar as negociações com os Estados Unidos. Em entrevista publicada neste sábado pelo veículo iraniano Shahrara News, ele disse que Washington precisa atender a determinadas condições relacionadas ao estreito para que a navegação seja retomada nessa rota marítima, responsável por um quinto do petróleo mundial antes da guerra.
Trump pediu aos norte-americanos que aceitassem preços um pouco mais altos da gasolina enquanto o conflito com o Irã continuar.
Em um comício político realizado na sexta-feira em Garden City, Nova York, ele afirmou que pagar “um pouquinho a mais pela gasolina” vale a pena para garantir que “um país muito maligno” não obtenha uma arma nuclear, uma das justificativas apresentadas pelo presidente dos EUA para a guerra.
Em uma tendência que tem alimentado a inflação e frustrado os eleitores, o preço médio do galão de gasolina nos EUA era de cerca de US$4,08 na sexta-feira, alta de 29% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Americana do Automóvel (AAA).
Trump, republicano, fez campanha pela reeleição prometendo reduzir os custos de energia, e os democratas buscam transformar os impactos da guerra em um tema central das eleições legislativas de novembro.
Os contratos futuros do petróleo bruto subiram US$1 por barril na sexta-feira.
“O Estreito de Ormuz não pode ser tomado por um tuíte ou por um porta-aviões, nem por uma ordem ou por um discurso eleitoral”, disse Gharibabadi.
Apesar do tom desafiador do Irã, havia sinais de que o país também estava sofrendo consequências econômicas.
O presidente Masoud Pezeshkian, em declarações transmitidas pela televisão estatal, atribuiu a alta inflação ao bloqueio dos portos iranianos pelos EUA e às sanções sobre as exportações de petróleo do país.
NENHUM NAVIO DE PETRÓLEO BRUTO TRANSITA PELO ESTREITO
Trump e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, prometeram causar ainda mais danos financeiros ao Irã. Em entrevista ao programa Rob Schmitt Tonight, da Newsmax, na quinta-feira, Bessent afirmou que novas medidas contra Teerã seriam anunciadas na semana seguinte.
Teerã chama suas ações de controle do tráfego marítimo no estreito de “bloqueio”, o mesmo termo que Washington utiliza para descrever sua ameaça contra embarcações iranianas que deixam os portos do país.
“O que estamos fazendo é um grande serviço para o mundo, não apenas para nós mesmos… e estamos realizando um excelente trabalho”, disse Trump, acrescentando que uma missão de 260 dias de um porta-aviões norte-americano em apoio ao esforço de guerra foi “nem de perto longa o suficiente”.
Apenas duas embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz na sexta-feira, sem qualquer carregamento visível de petróleo bruto, segundo análise da empresa de rastreamento marítimo Kpler. Alguns navios podem cruzar a região sem serem detectados, com seus transponders desligados, mas os números estão muito longe das mais de 130 embarcações que atravessavam o estreito diariamente antes da guerra.
Navios que se arriscam a navegar pelo estreito sem autorização iraniana correm o risco de sofrer ataques com mísseis ou drones.
A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (Adnoc), dos Emirados Árabes Unidos, informou que duas de suas embarcações foram atacadas enquanto transitavam pelo estreito na noite de quinta-feira. A agência estatal emiradense WAM também noticiou que outro navio foi alvo de um ataque na sexta-feira.
Um navio graneleiro foi atingido no casco por um projétil de origem desconhecida no Estreito de Ormuz na sexta-feira, informou neste sábado o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido. Segundo a entidade, a tripulação está segura, não houve divulgação de avaliação dos danos e o impacto ambiental permanece desconhecido.
Um acordo preliminar firmado em junho para encerrar a guerra está em frangalhos.
“Não tivemos um cessar-fogo inicialmente que agora desejássemos estender”, disse Araqchi. “Tivemos ‘o fim da guerra’, e agora existe uma nova situação.”
Ataques dos houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, renovaram os temores de uma ampliação do conflito regional. O governo internacionalmente reconhecido do Iêmen afirmou que os houthis dispararam seis mísseis balísticos contra o porto de Mocha, no Mar Vermelho, na sexta-feira, matando quatro civis.
A agência Saba, controlada pelos houthis, citou uma fonte militar segundo a qual o grupo atacou uma instalação da Aramco na cidade saudita de Najran utilizando um drone.
(Reportagem de Menna Alaa El Din e Enas Alashray, no Cairo; Humeyra Pamuk, em Garden City, Nova York; e Jarrett Renshaw, em Washington)
Fonte: Portal do Holanda

