Esperanças de acordo sobre Estreito de Ormuz se esvaem enquanto Trump exige indenizações do Irã
Donald Trump exigiu que o Irã pague indenizações por mortes em conflitos, complicando as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz.
O presidente dos EUA afirmou que o Irã deve arcar com os danos causados ao longo de 50 anos, incluindo mortes de manifestantes e militares.
As negociações com Omã para novas rotas marítimas estão em andamento, mas o Irã condiciona um acordo ao fim das sanções e indenizações.
Por Steve Holland e Jacob Bogage
WASHINGTON, 10 Ago (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu nesta segunda-feira às condições do Irã para um acordo de paz com suas próprias demandas, exigindo que Teerã pague indenizações pelas pessoas mortas em guerras, ataques e protestos, em uma escalada retórica que deve complicar os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz.
A proposta de Trump, que não havia sido levantada anteriormente, foi uma resposta às exigências de Teerã por indenização e pelo fim das sanções. As exigências iranianas estavam, em grande parte, alinhadas aos termos de um acordo preliminar de paz assinado em junho, que desde então fracassou.
Desde o início da guerra, em fevereiro, Trump tem oscilado repetidamente entre ameaças de escalada e afirmações de que um acordo de paz é iminente.
“Vamos exigir indenização pelos danos que eles causaram ao longo de um período de 50 anos”, disse Trump na Casa Branca, afirmando que os pagamentos cobririam as mortes tanto de manifestantes civis quanto de militares norte-americanos na região.
“Portanto, se houver indenizações a serem pagas, acho que o Irã deve arcar com elas”, disse Trump.
Os preços do petróleo fecharam com alta de 5% nesta segunda-feira, à medida que as exigências diminuíram as perspectivas de um acordo para reabrir o estreito.
Ao se referir à repressão implementada por Teerã às manifestações no final de 2025 e 2026, Trump disse que o Irã matou cerca de 52 mil manifestantes até seis semanas atrás. Embora alguns grupos da oposição iraniana e do exílio tenham alegado dezenas de milhares de mortos, a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos EUA, calculou em fevereiro cerca de 7 mil mortes, incluindo 6.500 manifestantes.
Trump encorajou os manifestantes a derrubarem o governo iraniano quando a guerra começou com ataques aéreos dos EUA e de Israel, em fevereiro. Segundo grupos de direitos humanos, o governo iraniano continuou a reprimir opositores desde então.
Trump também disse que Teerã deveria indenizar as famílias dos 17 marinheiros norte-americanos mortos em um ataque ocorrido em outubro de 2000 no Iêmen contra o navio de guerra USS Cole, cuja autoria foi atribuída à Al-Qaeda, e não ao Irã.
“Além disso, no que diz respeito às negociações com o Irã, o Irã deve ser responsabilizado pelos danos e mortes causados aos povos do Líbano, da Síria, do Iêmen e de Gaza!”, escreveu Trump em uma postagem no Truth Social.
O Irã havia afirmado anteriormente que estava próximo de um acordo final com Omã para definir novas rotas marítimas entre os dois países através do Estreito de Ormuz, mas reiterou que os EUA devem cumprir determinadas condições, incluindo indenização e o fim das sanções e ameaças militares, antes que a importante via navegável seja reaberta.
O estreito, por onde circulava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes do conflito, está efetivamente bloqueado desde o início da guerra, o que tem impulsionado os preços do petróleo e a inflação.
Ironicamente, o acordo com Omã deve garantir a Teerã mais influência sobre a importante via navegável do que a que tinha antes do início da guerra.
Trump, por outro lado, está sob pressão para encerrar uma guerra profundamente impopular no país antes das eleições de meio de mandato, em novembro, e os altos preços dos combustíveis são uma das principais preocupações nas áreas rurais que o apoiaram no passado.
“O que vocês estão vendo aqui é o início de uma capitulação”, disse o deputado democrata Bill Keating à CNN. “Essa é a realidade. A gente está começando a entender isso.”
Na manhã desta segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que as negociações com Omã estavam “progredindo de forma tranquila e construtiva”, com um acordo alcançado sobre um mapa de rotas marítimas, embora algumas questões técnicas ainda permanecessem sem solução.
Baghaei disse que as discussões também abrangeram serviços que normalmente envolveriam pagamento, como navegação segura, proteção ambiental, serviços marítimos e combate ao crime.
Autoridades norte-americanas têm descartado repetidamente qualquer acordo que permita a Teerã cobrar taxas pelo acesso ao estreito.
Mas meses de esforços militares dos EUA, incluindo uma campanha de ataques de duas semanas em julho, não conseguiram quebrar o domínio do Irã sobre o estreito, apesar da afirmação enganosa de Trump, repetida nesta segunda-feira, de que o estreito estava aberto e que “o único que tem controle do Estreito de Ormuz neste momento é a Marinha dos Estados Unidos”.
Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em junho, mas os EUA reimpuseram um bloqueio à navegação iraniana em julho, medida que Teerã avaliou como uma violação da trégua.
O Irã vem retaliando com mísseis e drones contra os aliados de Washington na região, ao mesmo tempo em que ataca navios comerciais que transitam pelo estreito sem sua permissão.
(Reportagem de Steve Holland e Jacob Bogage, em Washington; Nayera Abdallah, em Dubai; Enas Alashray, no Cairo; e Stephanie Kelly, em Londres; )
Fonte: Portal do Holanda

