Colômbia é atingida pelo terremoto mais forte em uma década; veja a linha do tempo dos grandes tremores no país
Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na manhã de 10 de outubro, com epicentro próximo a San José del Palmar, no Chocó.
As autoridades locais confirmaram mais de 70 mortes e danos significativos em cidades como Pereira, Manizales e Cali, além de desabamentos de edifícios.
O governo colombiano declarou situação de desastre nacional e recebeu ofertas de ajuda de países vizinhos para as operações de resgate.
Imagem ilustrativa de destruição causada por terremoto
Um terremoto de magnitude 7,4 sacudiu boa parte da Colômbia na manhã desta segunda-feira (10), por volta das 7h34 no horário local. O epicentro ficou perto de San José del Palmar, no departamento do Chocó, na região do Pacífico, a uma profundidade estimada entre 82 e 110 quilômetros. Apesar de o tremor ter nascido longe das grandes cidades, ele foi sentido com força em Bogotá, Cali, Medellín e em todo o Eixo Cafeteiro, além de ter chegado ao Equador e ao Panamá. O serviço geológico colombiano classificou o evento como o de maior magnitude registrado no país na última década.
Os balanços divulgados ao longo do dia são preliminares e seguiram subindo: as primeiras contagens falavam em pouco mais de vinte mortes, e no fim da tarde as autoridades locais já somavam mais de 70 vítimas em cinco departamentos, com destaque para Pereira, Manizales, Cali e o próprio Chocó. Dezenas de edifícios desabaram total ou parcialmente, havia pessoas presas sob escombros, hospitais foram danificados e ao menos sete aeroportos suspenderam operações para avaliação estrutural. O governo colombiano decretou situação de desastre nacional e mobilizou equipes de resgate, enquanto países vizinhos ofereciam ajuda.
A Colômbia fica sobre uma das áreas mais movimentadas do planeta em termos de tectônica: o país está no encontro das placas de Nazca, Sul-Americana e do Caribe, cortado ainda por dezenas de falhas geológicas ativas. Isso explica por que tremores são rotina — e por que, de tempos em tempos, alguns deles se transformam em tragédias nacionais. Veja os principais episódios registrados no país:
1875 — Cúcuta (Norte de Santander): magnitude estimada em torno de 7,5. A cidade foi praticamente arrasada e o número de mortos passou de mil, com vítimas também do lado venezuelano da fronteira.
1906 — Costa do Pacífico (Nariño e fronteira com o Equador): magnitude 8,8, o mais forte já medido no país. Gerou um tsunami com ondas de até cinco metros em Tumaco; as estimativas apontam cerca de 1.500 mortos.
1979 — Tumaco (Nariño): magnitude 8,1. O tsunami que se seguiu destruiu povoados inteiros do litoral; o balanço oficial chegou a cerca de 450 mortos, mais de mil feridos e milhares de casas destruídas.
1983 — Popayán (Cauca): magnitude 5,5, mas com epicentro raso e a poucos quilômetros da cidade. Durou 18 segundos, matou em torno de 270 pessoas, arrasou o centro histórico colonial e deixou mais de dez mil desabrigados. Foi o evento que levou a Colômbia a criar normas de construção sismorresistente.
1994 — Rio Páez (Cauca): magnitude 6,4. O tremor provocou deslizamentos e uma avalanche de lama que varreu comunidades indígenas às margens do rio, com estimativas de 800 a 1.100 mortos.
1999 — Armênia e Eixo Cafeteiro (Quindío e Risaralda): magnitude em torno de 6,2, considerado o mais mortal da história recente. Deixou cerca de 1.200 mortos — algumas contagens chegam perto de 2 mil —, milhares de feridos e prejuízos bilionários.
2025 — Paratebueno (Cundinamarca): magnitude 6,5, sentido com força em Bogotá. Não houve mortes, mas dezenas de feridos, casas derrubadas e um deslizamento que bloqueou cursos d'água na região do piemonte.
2026 — Chocó: magnitude 7,4, com mais de 70 mortes confirmadas até o momento e danos em pelo menos cinco departamentos.
O histórico mostra um padrão que os especialistas colombianos repetem há décadas: magnitude alta nem sempre significa mais mortes. Popayán e Armênia foram destruídos por tremores de magnitude moderada, porém rasos e próximos de áreas urbanas com construções frágeis. Já o abalo desta segunda-feira teve foco profundo, o que dispersou a energia por uma área enorme — o que ajuda a explicar por que foi sentido em três países, mas também por que as perdas, embora graves, não alcançaram a escala de 1999. As buscas continuam e os números devem ser revisados nos próximos dias.
Fonte: Portal do Holanda
