Venezuelana sobrevivente do terremoto lamenta perda de amigos que “permanecerão jovens para sempre”
Maria Alejandra Sanz, de 17 anos, sobreviveu a dois terremotos em La Guaira, mas perdeu quatro amigos, incluindo Gonzalo Marquez, que foi encontrado morto.
As equipes de resgate enfrentaram críticas por sua demora, chegando ao local três dias após o desastre, enquanto voluntários iniciaram buscas imediatamente.
Os terremotos, ocorridos em 24 de junho, deixaram mais de 4.000 mortos e quase 17.000 feridos, intensificando a crise humanitária na Venezuela.
LA GUAIRA, Venezuela, 11 Jul (Reuters) – Maria Alejandra Sanz desviou o olhar ao saber que equipes de resgate haviam retirado o corpo sem vida de uma de suas melhores amigas dos escombros de um prédio destruído pelos dois terremotos que atingiram o Estado de La Guaira, no norte da Venezuela, no mês passado.
A estudante do ensino médio, de 17 anos, ficou deitada na quase escuridão por 17 horas após os terremotos de 24 de junho, presa sob o prédio desabado na cidade litorânea de La Guaira, onde cresceu, bebendo sua própria urina para sobreviver e presumindo que os outros membros de sua trupe de dança estivessem mortos.
Do grupo de dez amigos que vinha preparando uma coreografia para a formatura do ensino médio, quatro não conseguiram sair com vida.
“Estou bem”, disse Sanz, sem muita convicção, durante uma entrevista em frente à sua antiga casa, nove dias após o desastre, com o ar caribenho ainda pesado de poeira e tristeza. Mais cedo naquele dia, as equipes de resgate haviam retirado o corpo de seu amigo, Gonzalo Marquez, dos escombros.
Então veio uma série de perguntas sem resposta: seus amigos teriam sobrevivido se as equipes de resgate tivessem chegado mais cedo? As coisas seriam diferentes se a trupe de dança tivesse ensaiado em outro prédio? E se ela estivesse com Marquez no andar de baixo, em vez de ter ido buscar água para ele em seu apartamento no andar de cima? Por que ela poderá ir para a universidade, enquanto ele foi sepultado?
Criados em meio ao colapso econômico, à migração em massa e ao regime autoritário, Sanz e seus amigos começaram o ano de 2026 acreditando que a destituição do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA poderia finalmente oferecer um futuro diferente.
Então vieram os terremotos, que, segundo o governo, já mataram mais de 4.000 pessoas e feriram quase 17.000 outras.
SALVA PELA SEDE DE UM AMIGO
A trupe de Sanz vinha ensaiando sete dias por semana no mês que antecedeu os terremotos, às vezes até as 3 da manhã. Naquela noite, no salão de festas do térreo de seu prédio, elas estavam aperfeiçoando os passos para “Dangerous”, uma música de 1991 do ícone pop norte-americano Michael Jackson.
A formatura seria em três dias.
Cerca de 20 minutos antes dos terremotos, Marquez pediu água a Sanz. Ela subiu ao apartamento no terceiro andar que dividia com os pais, acariciou sua cadela Bruna pela última vez e estava prestes a pegar a água quando o prédio começou a tremer às 18h04.
Fonte: Portal do Holanda

