Calor extremo coloca à prova consumo de bebidas alcoólicas e afeta fabricantes na Europa
O calor extremo na Europa, iniciado em 20 de junho, é o mais intenso já registrado, impactando a saúde e a infraestrutura.
Pesquisadores indicam que vendas de bebidas alcoólicas aumentam até 32 graus Celsius, mas caem em temperaturas mais altas, afetando o consumo.
Fabricantes como a Carlsberg adaptam suas ofertas, priorizando opções com baixo teor alcoólico, enquanto autoridades de saúde recomendam evitar álcool para prevenir desidratação.
LONDRES, 3 Jul (Reuters) – O calor extremo na Europa está colocando à prova a suposição de que verões quentes significam um aumento nas vendas de bebidas alcoólicas, com estudos indicando que os consumidores se mostram menos propensos a pegar uma cerveja gelada ou um Aperol Spritz quando a temperatura fica insuportável.
As vendas de bebidas alcoólicas aumentam, em média, com a temperatura até pouco mais de 32 graus Celsius; a partir daí, o efeito positivo se torna menor, constataram pesquisadores da Universidade da Califórnia, da ETH Zurich e da Universidade Estadual da Carolina do Norte.
O efeito variou de acordo com a região geográfica e foi menos pronunciado em áreas já quentes, segundo o artigo publicado em março, baseado em dados de vendas no varejo dos EUA entre 2006 e 2023.
“De modo geral, o clima quente é bom para o consumo. Mas também há um limite máximo… além do qual o calor se torna simplesmente desconfortável”, disse Marten Lodewijks, presidente da empresa de pesquisa de mercado de bebidas IWSR, acrescentando que isso inverte a tendência para alguns consumidores.
A onda de calor do verão na Europa, que começou em 20 de junho, foi a mais intensa já registrada no continente, causando milhares de mortes a mais e sobrecarregando os sistemas de saúde, prejudicando a geração de energia e danificando a infraestrutura.
Autoridades de saúde europeias recomendaram que as pessoas evitem o álcool, que aumenta a desidratação e o calor corporal. O consumo e as vendas em lojas foram temporariamente proibidos em Paris.
“Há uma diferença importante entre clima quente e calor extremo”, disse Kristian Henningsen, diretor global de relações públicas da Carlsberg, acrescentando que o calor extremo pode levar as pessoas a ficarem em casa em vez de saírem para tomar uma bebida.
A cervejaria dinamarquesa está focada em oferecer mais opções aos consumidores, como cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool e refrigerantes, em parte para se adaptar a essas mudanças, disse Henningsen à Reuters.
Fonte: Portal do Holanda

