Taxas curtas caem e longas sobem após IPCA-15 favorável e BC negar horizonte alongado
As taxas dos DIs de curto prazo caíram após a divulgação do IPCA-15, que subiu 0,41% em junho, abaixo da expectativa de 0,44%.
Taxas de longo prazo, como o DI para janeiro de 2028, subiram para 14,24%, enquanto o DI para janeiro de 2035 alcançou 14,3%.
Dirigentes do Banco Central afirmaram que não há intenção de alongar o horizonte da política monetária, mantendo a Selic em 14,25% ao ano.
SÃO PAULO, 25 Jun (Reuters) – Influenciadas por dados mais favoráveis da inflação brasileira, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo fecharam a quinta-feira com baixas, mas distantes das mínimas do dia, após dirigentes do Banco Central negarem que o horizonte da política monetária esteja sendo alongado.
As taxas de longo prazo, que chegaram a ceder pela manhã, encerraram a sessão com altas, em um dia de inclinação da curva termo brasileira.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,24%, com baixa de 8 pontos-base ante o ajuste de 14,32% da sessão anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,3%, com alta de 9 pontos-base ante o ajuste de 14,21%.
No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,41% em junho, desacelerando ante a alta de 0,62% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam elevação de 0,44% em junho.
A abertura do indicador também trouxe dados favoráveis. A taxa dos serviços subjacentes — que excluem itens mais voláteis — desacelerou de 0,53% em maio para 0,27% em junho, conforme o banco Bmg. Já a inflação dos serviços intensivos em mão de obra passou de 0,60% para 0,50% no período. A taxa dos serviços de modo geral foi de 0,48% para 0,40%.
Também houve melhora na média dos núcleos de inflação acompanhados pelo BC, com a taxa desacelerando de 0,48% em maio para 0,34% em junho, de acordo com o Bmg.
Na esteira dos números, as taxas cederam ao longo da curva a termo.
O cenário mudou a partir das 11h, quando dirigentes do BC participaram de uma entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária, divulgado mais cedo. Nela, eles procuraram abafar os ruídos gerados pelo comunicado e pela ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), quando o BC cortou a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano.
O diretor Paulo Picchetti afirmou que o BC não está alongando o horizonte relevante para a política monetária e não tem a intenção de fazer isso. Ele acrescentou que a autarquia optou por não fornecer sinais sobre o que fará com a Selic à frente, diante do cenário incerto.
Segundo Picchetti, nas comunicações recentes a autarquia chamou atenção para o primeiro trimestre de 2028 porque avalia que o choque de oferta gerado pela guerra no Oriente Médio e pelo fenômeno climático El Niño afeta a inflação, mas é insensível ao que o BC faz com os juros.
Picchetti — que atualmente acumula as diretorias de Assuntos Internacionais e de Política Econômica do BC — afirmou que um choque de juros "não abriria o Estreito de Ormuz" nem afetaria o fenômeno El Niño, mas causaria uma desaceleração desordenada da atividade.
Desde a semana passada, parte do mercado vinha interpretando as mensagens do BC como um sinal de que não haverá alta da Selic no curto prazo, havendo boas chances de novos cortes.
No entanto, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou na coletiva que, em função da incerteza, a instituição não está dando sinalizações sobre o futuro dos juros, salientando que não há nenhum tipo de mudança na política monetária.
Fonte: Portal do Holanda
