Para Vance, negociações com Irã podem marcar ascensão política
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, assume papel central nas negociações de paz com o Irã, podendo influenciar sua futura candidatura à presidência.
Um acordo provisório foi alcançado, suspendendo hostilidades, mas questões cruciais sobre o programa nuclear do Irã permanecem sem solução por 60 dias.
Vance, promovido por Trump como principal negociador, enfrenta riscos políticos e desafios diplomáticos, enquanto outros republicanos destacam sua importância nas negociações.
Por Humeyra Pamuk e Jacob Bogage
WASHINGTON/LUCERNA, Suíça, 19 Jun (Reuters) – O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, está prestes a assumir seu maior papel até agora no cenário internacional como principal negociador do presidente Donald Trump para pôr fim à guerra de três meses com o Irã, um momento que poderá definir as perspectivas de Vance como sucessor na Casa Branca.
As duas nações chegaram a um acordo de paz provisório na quarta-feira que suspendeu as hostilidades, mas deixou questões centrais sem solução, adiando para 60 dias de negociações as decisões sobre o programa nuclear do Irã, seu apoio a grupos militantes regionais e o Estreito de Ormuz, de vital importância econômica.
As discussões representam um cenário de alto risco para todas as partes envolvidas no conflito, para o Oriente Médio como um todo e para as ambições políticas de Vance. E a situação permanece instável: Vance cancelou um voo previsto para a noite de quinta-feira com destino à Suíça para o início das negociações, embora a Casa Branca tenha afirmado que a delegação dos EUA está “preparada para partir na primeira oportunidade disponível”.
Esses desdobramentos em rápida evolução coincidem com o lançamento do livro de Vance sobre sua conversão ao catolicismo, “Communion”, e uma turnê pela mídia para promovê-lo, durante a qual ele falou sobre sua fé ao mesmo tempo em que se posicionava como o principal defensor do acordo com o Irã.
Essa campanha em estilo eleitoral atingiu seu clímax na quinta-feira, com uma coletiva de imprensa na Casa Branca, na qual Vance expôs as esperanças dos EUA por um acordo de paz definitivo e proferiu o que alguns observadores chamaram de uma das mais duras repreensões a Israel na história dos EUA, ao mesmo tempo em que se esquivou de uma pergunta sobre uma possível candidatura à Presidência.
“Se os iranianos não mudarem seu comportamento, suas forças armadas e seu programa nuclear ainda serão destruídos”, disse Vance. “Se eles mudarem seu comportamento, então terão uma relação transformadora com o Oriente Médio, e o Oriente Médio terá uma relação transformadora com o povo do Irã.”
Outros republicanos destacaram a importância do papel de destaque de Vance no acordo com o Irã.
O senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, um líder na ala de política externa do partido, chamou Vance de “arquiteto” do acordo de paz e disse que o vice-presidente deveria apresentar um acordo final ao Senado para aprovação.
Trump brincou na quarta-feira dizendo que Vance tinha pouco a ganhar e muito a perder com essa missão.
“Se der certo, vou ficar com o crédito. Se não der certo, vou culpar o JD!”, brincou o presidente durante uma entrevista na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França.
Representantes do gabinete de Vance se recusaram a comentar para esta reportagem.
Trump parece ter promovido Vance como o rosto do acordo, em vez do secretário de Estado Marco Rubio — tradicionalmente o principal diplomata do país —, o que gerou questionamentos por parte de aliados do governo sobre o papel de Rubio nas negociações.
Uma autoridade da Casa Branca, falando sob condição de anonimato para discutir conversas privadas, disse que ninguém da equipe de Trump manifestou oposição ao acordo de paz provisório.
Rubio também é visto como um candidato à indicação presidencial republicana para 2028, embora nem ele nem Vance tenham afirmado que planejam concorrer à Presidência.
O Departamento de Estado não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Fonte: Portal do Holanda

