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Copa do Mundo voltou ao México após 40 anos, mas muitos moradores locais se sentem excluídos

Eduardo Marin, torcedor de longa data, expressa frustração com os altos preços dos ingressos, que chegam a US$5.000, tornando a Copa inacessível.

Moradores do México relatam exclusão do evento, com restrições de licenciamento limitando a transmissão dos jogos em bares, especialmente em áreas menos favorecidas.

A Fifa defende os preços elevados como compatíveis com grandes eventos, enquanto o governo mexicano organiza exibições públicas gratuitas em resposta às críticas.

CIDADE DO MÉXICO, 17 Jun (Reuters) – Nascido em 1986, ano em que o México sediou a Copa do Mundo pela última vez, Eduardo Marin gosta de brincar dizendo que mede sua vida não em anos, mas em torneios de futebol.

Em 1994, ainda criança, ele assistiu com a família à eliminação do México nos pênaltis para a Bulgária. Em 2006, já na faculdade, Marin se lembra da decepção quando o argentino Maxi Rodríguez mandou um voleio de fora da área na prorrogação, eliminando uma das melhores seleções do México dos últimos tempos. E em 2018, com pouco mais de 30 anos, Marin e oito amigos pintaram um ônibus com as cores verde, branco e vermelho do México e dirigiram da Alemanha até a Rússia para torcer pelo “El Tri”. O ônibus apareceu em canais de TV do mundo todo e garantiu ao grupo de amigos, por um momento, fama viral.

Agora, a Copa do Mundo chegou ao México, mas Marin vai ficar em casa.

Ele não vai assistir a nenhum jogo, e o ônibus está acumulando poeira. Os preços dos ingressos, segundo ele, dispararam para valores inacessíveis, e a atmosfera parece diferente daquele espírito popular de “tudo é possível” que ele lembra da juventude.

“Antigamente era para o povo”, disse ele, descrevendo o que vê como uma mudança em direção a um evento mais elitista, semelhante às corridas de Fórmula 1.

Marin disse que o custo total de sua viagem à Rússia, incluindo ingressos para três jogos, foi de cerca de US$5.000. Para este torneio, alguns torcedores pagaram essa quantia por um único ingresso para a partida de estreia do México contra a África do Sul.

Em todo o México, o sentimento de Marin é amplamente compartilhado. Apesar da Copa do Mundo voltar ao país pela primeira vez em quatro décadas, muitos mexicanos afirmaram se sentir excluídos, impedidos de entrar nos estádios devido aos altos preços, forçados a pagar por assinaturas caras de TV e limitados por regras rígidas de licenciamento que restringiram o número de bares — especialmente em áreas menos favorecidas — que transmitem os jogos.

Também surgiram tensões em torno das tentativas de embelezar as cidades-sede para os torcedores visitantes. Na Cidade do México, os moradores criticaram a pintura de axolotls — a simpática salamandra nativa — em tudo, desde murais até vagões de trem. Nos arredores de Monterrey, as autoridades ergueram muros ao longo das estradas que levam ao estádio e ao aeroporto, bloqueando a visão dos bairros pobres. “Eles não querem que ninguém nos veja”, disse San Juanita Barrera, 71, moradora de longa data do bairro de Nuevo San Rafael.

O governo do Estado de Nuevo León não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O México sediará apenas 13 das 104 partidas da Copa do Mundo, com a maior parte sendo disputada nos Estados Unidos. Para torcedores de longa data como Ricardo Arafat Garcia Tagle, um animador gráfico de 42 anos do bairro operário de Coapa, na Cidade do México, esse desequilíbrio é doloroso.

“Quando decidiram que seriam 13 partidas, achei um insulto”, disse ele em seu apartamento, enquanto assistia ao empate da fase de grupos entre Brasil e Marrocos. “Dos três países — México, Estados Unidos e Canadá — esta é a nação do futebol!”

O custo para assistir aos jogos em casa também disparou. Ao contrário de torneios anteriores, amplamente disponíveis na TV aberta, agora é preciso ter uma assinatura paga para assistir a muitas partidas.


Fonte: Portal do Holanda

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