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Sem dinheiro para ir à Copa, mãe de Vozinha assiste às façanhas do filho de casa

Ana Cândida Évora, mãe do goleiro Vozinha, não pôde viajar para a Copa do Mundo devido a custos altos e problemas com visto.

O governo dos EUA anunciou a suspensão da exigência de caução para portadores de ingressos da Copa, mas os custos de viagem continuam sendo um obstáculo.

O líder democrata Hakeem Jeffries pediu ao governo que facilite a viagem de Évora para que ela possa assistir aos jogos do filho em Atlanta.

PRAIA, 16 de junho (Reuters) – O goleiro de Cabo Verde Vozinha chocou o mundo ao impedir que a formidável linha de ataque da Espanha marcasse na estreia da nação insular na Copa do Mundo na segunda-feira, mas houve uma mulher que não ficou nem um pouco surpresa.

Um dia antes da partida, a mãe de Vozinha, Ana Cândida Évora, apareceu na emissora de televisão estatal para prever com confiança que ninguém conseguiria marcar contra seu filho — fato que ela destacou em entrevista à Reuters nesta terça-feira, enquanto seus compatriotas se recuperavam das comemorações que duraram a noite toda após o empate em 0 a 0 pela fase de grupos.

“Eu disse que nenhuma bola entraria no gol dele e foi exatamente isso que aconteceu”, disse Évora, uma faxineira de 59 anos.

“Ele é um ótimo goleiro. Tenho muito orgulho de ser mãe do Vozinha e espero que ele continue defendendo todas as bolas que vierem em sua direção.”

Após o apito final na segunda-feira, em Atlanta, Vozinha, de 40 anos, cujo nome verdadeiro é Josimar Dias, caiu em prantos, em parte porque sua mãe não pôde viajar para ver suas façanhas pessoalmente, como ele contou mais tarde aos repórteres, citando um problema com o visto.

Em janeiro, Cabo Verde foi incluído em uma lista de dezenas de países cujos cidadãos precisavam pagar cauções de até 15.000 dólares para entrar nos Estados Unidos, de acordo com regras introduzidas pelo governo de Donald Trump, destinadas a coibir a permanência ilegal após o vencimento do visto.

No mês passado, Washington anunciou que suspenderia a exigência para portadores de ingressos da Copa do Mundo, afirmando que queria facilitar “viagens legítimas para o próximo torneio da Copa do Mundo”.

Naquele momento, porém, os altos custos já haviam levado Évora a descartar até mesmo tentar fazer a viagem de 6.400 km até Atlanta.

“Eu adoraria ter viajado e assistido ao jogo, mas não foi possível”, disse.

Os altos custos para chegar à Copa do Mundo seriam um problema para as pessoas do arquipélago com 10 ilhas, independentemente da exigência de caução, disse Mário Semedo, presidente da federação nacional de futebol.

“Não é fácil para um residente cabo-verdiano viajar para uma Copa do Mundo. Passagem aérea, hospedagem e ingressos para os jogos envolvem custos significativos”, disse à Reuters.

“Certamente há maneiras de lidar com as questões de imigração e, ao mesmo tempo, criar condições que permitam aos torcedores viajarem. Se um familiar de um jogador, por exemplo, quiser assistir ao torneio, todos os esforços devem ser feitos para facilitar isso.”

Um líder democrata no Congresso dos EUA pediu que o governo Trump intervenha para ajudar Évora.

“Nenhuma mãe deveria perder a chance de ver seu filho fazer história”, disse o líder democrata na Câmara dos Deputados, Hakeem Jeffries, nas redes sociais.


Fonte: Portal do Holanda

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