GovTech na prática: como acelerar parcerias e inovações no setor público?
Debate promovido pelo Serpro no Web Summit Rio 2026 reuniu representantes da empresa e da Caixa para discutir inovação aberta, parcerias estratégicas e novos modelos de contratação pública
Parcerias como estratégia para gerar valor
Ao apresentar a experiência do Serpro, Eder, gerente de Parcerias e Oportunidades de Negócio, destacou que as parcerias têm se consolidado como um importante instrumento para ampliar a capacidade de inovação das empresas públicas. Segundo ele, o modelo permite unir a expertise das estatais à capacidade de inovação do mercado, acelerando o desenvolvimento de soluções e ampliando a oferta de serviços para órgãos públicos e clientes privados. “Se a estatal não utilizar esses instrumentos e não envolver as empresas nesse processo, ela está perdendo uma oportunidade de virar o jogo e passar a ser uma estatal cada vez mais sustentável”, afirmou.
Eder destacou que os benefícios das parcerias vão além da inovação. Para ele, a aproximação entre empresas públicas e privadas contribui para garantir mais estabilidade aos clientes governamentais e criar mecanismos que reduzem custos para a administração pública. De acordo com ele, ao contratar soluções do Serpro, órgãos públicos podem contar com maior continuidade na prestação dos serviços, sem a necessidade de constantes trocas de fornecedores, o que favorece a eficiência operacional e a preservação do conhecimento acumulado ao longo dos anos. “Enquanto o parceiro tiver um produto competitivo com a gente, essa relação pode durar 10, 15 ou 20 anos. Isso gera uma perenidade muito importante para os órgãos públicos e evita interrupções ou mudanças frequentes de solução”, ressaltou.
Segundo Eder, o modelo também permite que receitas obtidas com soluções ofertadas ao mercado privado contribuam para reduzir custos de contratos mantidos com órgãos públicos, criando um ciclo virtuoso capaz de beneficiar a administração pública, ampliar a sustentabilidade dos serviços e gerar melhores resultados para a sociedade. “Fechamos um ecossistema que traz o mercado privado para dentro da estatal, oferta soluções de maneira mais rápida e ainda permite reduzir custos para os ministérios. É um modelo que gera benefícios para todos os envolvidos”, destacou.
Antes da solução, é preciso definir o problema
Ao conduzir o debate, Rafael Ando, gerente de Inovação Aberta em Negócios do Serpro, destacou a importância de mudar a forma como os desafios são apresentados dentro das organizações. “Muitas vezes o cliente já vem com a solução e não traz o problema. A gente precisa mudar esse enfoque e partir para definir melhores problemas, problemas bem especificados, para que os futuros parceiros possam entender se têm aderência para ajudar na resolução daquele desafio”, observou.
Para Ando, a qualidade da definição dos desafios influencia diretamente a capacidade de atrair parceiros e construir soluções inovadoras capazes de gerar impacto para a sociedade.
Da ideia à implementação
Apesar dos avanços no marco legal da inovação, um dos principais obstáculos para ampliar a adoção de novos modelos de contratação ainda está dentro das próprias organizações. Para Lucas Zaccaro, gerente de Inovação da Caixa, instrumentos como o Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI) têm ajudado a demonstrar que é possível trabalhar com startups de forma segura e gerar resultados concretos para a administração pública. “Muitas vezes o gestor público não vê a inovação aberta como algo possível. O CPSI ajuda justamente a mostrar que existe um caminho pelo qual o gestor público pode fazer uma conexão efetiva com uma startup e resolver problemas reais”, afirmou.
Segundo ele, a Caixa já lançou nove processos de contratação nesse formato e possui startups desenvolvendo soluções que hoje já são utilizadas por clientes da instituição. “O mais importante é conseguir sair do outro lado e ter algo na mão do cliente. Hoje a Caixa tem serviços que clientes reais estão usando e que são feitos por startups contratadas por meio dessas chamadas”, destacou.
Instrumentos existem, mas precisam ser mais utilizados
Segundo ele, iniciativas de benchmarking e equipes multidisciplinares são fundamentais para apoiar gestores e aumentar a confiança na adoção desses modelos. “A gente precisa aprender a usar esses caminhos. Muita gente já percorreu essa trilha antes. Temos muito a aprender com outras organizações que já estão utilizando esses instrumentos e acumulando experiências que podem ser compartilhadas”, afirmou.
Capacitação para acelerar a inovação
Ao longo do debate, os participantes defenderam que a construção de um ecossistema mais colaborativo, baseado na troca de conhecimento e na articulação entre governo, mercado e academia, será fundamental para ampliar a capacidade de inovação do Estado e responder aos desafios cada vez mais complexos da transformação digital.
Último dia do evento é nesta quinta-feira, 11 de junho
O Serpro encerra sua participação no “Web Summit Rio 2026” nesta quinta, 11, com a masterclass “Estratégia para criação de uma nuvem soberana brasileira”, marcada para as 12h30, que reunirá o presidente do Serpro, Wilton Mota, e o secretário de Governo Digital do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Rogério Mascarenhas, para debater os desafios da infraestrutura digital nacional, da proteção de dados e da autonomia tecnológica. O estande da empresa está no pavilhão 2, do Riocentro.
Fonte: Agência Gov / Governo Federal
