Brasil está preparado, afirma ministro João Paulo Capobianco sobre combate ao fenômeno El Niño
Titular do Meio Ambiente e Mudança do Clima detalhou as ações em andamento para monitorar e combater o fenômeno natural, principalmente em áreas com risco de incêndios
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro nesta quinta-feira (11/6), o titular do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, detalhou a estratégia do Governo do Brasil para combater os efeitos de um novo fenômeno El Niño, previsto para ainda este ano. Uma das ações em andamento é a implementação de um modelo de monitoramento contínuo e consultas periódicas com especialistas climáticos do Brasil e do exterior.
Segundo o ministro, atualmente, o governo trabalha com a projeção de 80% de probabilidade de um El Niño muito intenso. Para não esperar o cenário se consolidar, foi instalada uma sala de situação permanente coordenada pela Casa Civil, envolvendo 13 ministérios e órgãos públicos. Essa estrutura aciona o planejamento de recursos extraordinários para preparar as Forças Armadas, Polícia Federal, Ibama e ICMBio, além de articular ações diretas com estados e municípios.
“O El Niño é um fenômeno natural, ele sempre ocorreu. O problema é que agora ele se associa à mudança do clima. Então ele tem potencial de ser mais intenso”.
O que temos hoje é uma indicação de que há aproximadamente 80% de chance de probabilidade de ser um El Niño muito intenso. Então, o que deveríamos fazer? Aguardar 100% de certeza? Claro que não. O Brasil nunca trabalhou assim. E agora estamos muito melhor preparados do que nos anos anteriores”, afirmou João Paulo Capobianco
O que temos hoje é uma indicação de que há aproximadamente 80% de chance de probabilidade de ser um El Niño muito intenso. Então, o que deveríamos fazer? Aguardar 100% de certeza? Claro que não. O Brasil nunca trabalhou assim. E agora estamos muito melhor preparados do que nos anos anteriores”, afirmou João Paulo Capobianco
Por ser um fenômeno potencializado pelas mudanças climáticas, o El Niño acaba gerando um desbalanço severo no clima do Brasil, dividindo os impactos do país em duas realidades extremas: redução de chuvas e secas intensas, com suscetibilidade a incêndios florestais, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste; e aumento expressivo de chuvas que potencializa inundações e deslizamentos nas regiões Sul e Sudeste.
Enfrentamento a incêndios
Capobianco detalhou os esforços na antecipação e planejamento contra as queimadas na Amazônia, Cerrado e Pantanal, impulsionado pela aprovação da Lei do Manejo Integrado do Fogo.
A nova legislação estabelece o princípio da corresponsabilidade, dividindo atribuições claras entre a União, estados, municípios e proprietários rurais. Na prática, isso quer dizer que, pela lei, os estados e municípios precisam elaborar os seus planos de manejo integrado do fogo para cada área do seu estado e municípios. E os proprietários rurais também passam a ter responsabilidade na prevenção”, disse o ministro
A nova legislação estabelece o princípio da corresponsabilidade, dividindo atribuições claras entre a União, estados, municípios e proprietários rurais. Na prática, isso quer dizer que, pela lei, os estados e municípios precisam elaborar os seus planos de manejo integrado do fogo para cada área do seu estado e municípios. E os proprietários rurais também passam a ter responsabilidade na prevenção”, disse o ministro
Além do reforço de monitoramento, outras respostas já foram adotadas diante desse cenário, como o aumento do número de aeronaves e equipamentos de prevenção e combate. O Governo do Brasil também já destinou quase R$ 600 milhões aos corpos de Bombeiros dos estados onde há mais riscos de incêndios florestais.
Responsabilidade da população— O ministro aproveitou a entrevista para fazer um apelo direto à sociedade, destacando que a maioria das queimadas começa por ação humana. “Mesmo quando o fogo se inicia por um acidente corriqueiro, como a queima de lixo ou a limpeza de um pequeno pasto, a atual situação climática faz com que as chamas saiam de controle facilmente. Nada substitui a ação da sociedade. Faço aqui o apelo, cada cidadão agora se torna corresponsável pelo manejo integrado do fogo. Ou seja, não use fogo a partir de julho agora, porque a situação climática vai tornar isso uma situação muito perigosa”, alertou.
Incêndios criminosos
Para os casos em que o fogo é utilizado de forma deliberada e ilegal, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima afirmou que o governo já intensificou as ações de repressão. “Hoje, o Governo do Brasil, por meio da Polícia Federal, estabeleceu um procedimento muito rigoroso de monitoramento e acompanhamento que está permitindo identificar, pela primeira vez, quem causou o início do incêndio. Isso está permitindo o estabelecimento de processos de investigação e de punição daqueles que fizeram isso criminosamente”, destacou.
▶️ Assista à íntegra do Programa Bom Dia, Ministro
Fonte: Agência Gov / Governo Federal

