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Minerais críticos ganham protagonismo global e ampliam relevância estratégica do Brasil

Especialistas apontam que disputa por terras raras, lítio, cobre e níquel está no centro das transformações tecnológicas, energéticas e geopolíticas do século XXI

“Não existe vida sem mineração.” A afirmação do diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), José Fernando Gomes, resume a importância de um setor que passou a ocupar posição central no debate internacional sobre segurança energética, tecnologia e desenvolvimento econômico. O tema foi discutido entre está terça-feira (9/6) e quarta-feira (10/6), durante o Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos 2026, organizado pelo IBRAM.

No painel Segurança Mineral e o Papel Estratégico do Brasil, realizado na terça, o debate reuniu o diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, Christopher da Cunha Bueno Garman, e o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Maurício Carvalho Lyrio.

Na avaliação dos painelistas, minerais críticos deixaram de ser apenas insumos industriais para se tornarem ativos estratégicos na disputa geopolítica global. A crescente demanda por tecnologias de baixo carbono, inteligência artificial, data centers, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa elevou a importância desses recursos para governos e empresas.

Segundo Lyrio, o mundo vive uma revalorização dos recursos naturais como elemento de poder entre os países. Para o diplomata, minerais críticos são hoje fundamentais para a competitividade tecnológica e industrial das nações e estão no centro das estratégias adotadas pelas grandes potências.

Garman destacou que a rivalidade entre Estados Unidos e China acelerou a corrida por novas fontes de suprimento e processamento desses minerais. “Segurança energética, segurança alimentar e segurança mineral passaram a ser tratadas como temas de segurança nacional”, afirmou.

O especialista ressaltou ainda que o Brasil está entre os países mais bem posicionados nesse novo cenário. Além das reservas minerais, o País reúne vantagens como disponibilidade de energia, capacidade produtiva e uma tradição diplomática que permite diálogo com diferentes blocos econômicos.

Durante o evento, especialistas da ANM reforçaram que o avanço das discussões sobre minerais críticos ocorre em um momento decisivo para o desenvolvimento das cadeias produtivas ligadas à transição energética e às tecnologias avançadas.

O chefe da Divisão de Minerais Críticos e Estratégicos da Agência, Mariano Laio, explicou que os minerais críticos são aqueles cuja oferta está concentrada em poucos países, o que aumenta o risco de interrupções nas cadeias globais de suprimento.

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“Essa limitação de fornecedores pode ocasionar disrupturas nas cadeias globais de fornecimento. É daí que vem a criticidade desses minerais”, explicou.

Ele destacou que minerais críticos e estratégicos costumam ser confundidos, embora possuam conceitos distintos. Enquanto os críticos estão associados à segurança de abastecimento, os estratégicos são aqueles considerados fundamentais para o desenvolvimento econômico do país. É o caso do minério de ferro, um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira.

Entre os minerais que concentram atenção internacional estão terras raras, lítio, cobre, níquel e nióbio, utilizados na fabricação de baterias, aerogeradores, painéis solares, computadores, smartphones, data centers e equipamentos militares.

A ANM também tem adotado medidas para acelerar a tramitação de processos relacionados a esses insumos. Segundo o superintendente de Outorga da Agência, André Marques, os pedidos envolvendo minerais críticos e estratégicos recebem tratamento prioritário. “Por força do Plano Plurianual, a documentação voltada a minerais críticos e estratégicos recebe priorização nas análises da ANM”, afirmou.

Corrida pelas terras raras

Os dados da Agência mostram que o interesse pelas terras raras cresceu de forma acelerada nos últimos anos. Entre 1975 e 2020 foram protocolados 476 requerimentos de autorização de pesquisa relacionados a esses minerais. Em 2023, o número saltou para 901 pedidos. Em 2024, atingiu o recorde de 1.081 requerimentos. Em 2025 foram registrados 655 pedidos e, apenas até 8 de junho de 2026, outros 401 requerimentos já haviam sido protocolados.

O avanço reflete a crescente importância das terras raras para setores ligados à transição energética, à indústria de alta tecnologia e à defesa. Em um cenário de competição cada vez maior entre as potências globais, especialistas avaliam que o Brasil reúne condições para assumir papel relevante nas futuras cadeias de suprimento desses minerais.


Fonte: Agência Gov / Governo Federal

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