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Caminhos da Reportagem analisa avanços e desafios da economia voltada à população LGBTQIAPN+

Nova edição do programa premiado da TV Brasil vai ao ar nesta segunda-feira (8), às 23h

O programa premiado Caminhos da Reportagem apresenta, nesta segunda-feira (8), a edição “Pink Money: o valor da diversidade” que aborda o interesse do mercado publicitário em criar ações para atrair o consumo da população LGBTQIAPN+ e os desafios enfrentados pela comunidade. A atração vai ao ar às 23h na TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) .

O termo “pink money”, ou “dinheiro rosa”, ganhou força nos Estados Unidos na década de 1980 e se refere ao poder de consumo da população LGBTQIAPN+. De acordo com a consultoria Out Now, esse consumo pode chegar a R$ 420 bilhões por ano no Brasil. O presidente do Instituto Mais Diversidade, Ricardo Sales, explica que, historicamente, esse mercado era associado a nichos específicos. “Nos anos 80 e 90, a gente associava a noção de pink money muito a viagem, lazer, entretenimento e muitas vezes fazia isso de uma forma até bastante estereotipada”.

A atração da TV Brasil demonstra que, nos anos 1990, o mercado brasileiro esteve muito ligado aos espaços considerados seguros para a comunidade, como bares e casas noturnas. Com isso, a noite paulistana moldou a carreira de figuras icônicas como a drag queen e apresentadora Silvetty Montilla. “Quando eu comecei, falei: ‘eu não quero ser artista de um lugar só’. […] vi que o dinheiro estava entrando, aí eu decidi ficar só na noite”, explica.

A partir dos anos 2000, o mercado voltado para pessoas LGBT+ começou a crescer no país. “É quando a gente sentiu, por exemplo, que a Parada de São Paulo teve um grande crescimento. Por quê? As pessoas estavam mais tranquilas em ficar fora do armário”, afirma Clovis Casemiro, gerente de membros da Associação Mundial de Turismo LGBT+ (IGLTA).

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que, em 2025, o evento movimentou cerca de R$ 550 milhões na economia paulistana. Contudo, a dificuldade para captar patrocínios ainda é uma questão. “As empresas aqui no Brasil investem pouco em relação ao que elas investem em outros eventos”, enfatiza Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP).

Ações de incentivo à diversidade

O Caminhos da Reportagem evidencia que muitas empresas lucram com os símbolos LGBT+, especialmente em junho, Mês do Orgulho, mas sem promover direitos para essa comunidade. Tal conceito é conhecido como “pink washing”. Para combater essa prática, o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ reúne empresas que assinaram a carta “10 Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos LGBTI+”.

O Grupo Heineken é uma delas. A multinacional investe no empoderamento de funcionários LGBT+ e na formação de bares parceiros para o mundo dos negócios. “A gente apadrinhou esses bares que eram de proprietários LGBT para que a gente fizesse essa jornada, uma trilha de desenvolvimento mesmo, para que esse dinheiro volte e prospere para a comunidade de maneira saudável e segura”, explica Vetusa Pereira, gerente de diversidade, equidade e inclusão do Grupo Heineken.

Outros eventos têm chamado a atenção do público LGBT+, como o Todo Mundo no Rio, que arrastou milhões de pessoas para a praia de Copacabana com os shows de Madonna (2024), Lady Gaga (2025) e Shakira (2026).

De acordo com a Prefeitura do Rio, o evento movimentou cerca de R$ 800 milhões na economia carioca, um retorno financeiro quarenta vezes maior que o investimento no show. “90% do público que frequenta a loja nessas datas são LGBT”, diz Siluana Bezerra, dona de uma loja no Saara, coração do comércio popular carioca, que vende roupas e acessórios para fãs de divas pop.

A rede hoteleira também tem faturado. “A gente acabou de passar por uma expansão que fez com que dobrasse a capacidade até para conseguir pegar mais esse público agora nesse momento”, explica Pedro Barroso, gerente geral de um hostel que fica a quatro quadras da praia de Copacabana.

Apesar dos avanços, o preconceito ainda traz grandes prejuízos para a economia brasileira. De acordo com um estudo do Banco Mundial, o país perde anualmente mais de R$ 94 bilhões com a exclusão de pessoas LGBT+ do mercado de trabalho. A população trans ainda é a mais afetada pelo desemprego. Em 2023, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 25% tinham emprego formal, com salários 32% menores que a média nacional.

A assessora parlamentar Andréa Brazil teve dificuldades para permanecer no mercado de trabalho formal. “Eu fui operadora de telemarketing por mais de três anos na minha vida. Eu tomava bronca por causa da minha voz”, conta. Ter seu próprio negócio foi a forma que Andréa encontrou para ter mais dignidade.

A empreendedora abriu um salão de beleza e, logo após, conseguiu realizar o sonho de ser estilista. “Eu comecei a pensar nos looks que tivessem as bandeiras para que as pessoas se sentissem vestindo, abraçando a causa”. O empreendimento da Andréa cresceu e se tornou um projeto social, o Capacitrans, que capacita a população LGBT+, especialmente pessoas trans e travestis, em ofícios como maquiagem, corte de cabelo e design de roupas.

O jornalista Francisco Borges, pai solo de seis filhos adotivos, vê essa transformação de perto. Para ele, a sociedade está mais atenta à maneira como empresas e demais instituições trabalham com as pautas do universo LGBT+. “Quando eu vou colocar um filho na escola, eu não quero só saber se eles têm Dia da Família, porque isso é o mínimo. Eu quero entender como eles se colocam frente aos personagens históricos, de livros infantis, por exemplo, que tipo de histórias, que tipo de autores eles têm ali?”, afirma.

Produção e reportagem: Thiago Padovan

Apoio à produção: Lucas Cruz

Apoio operacional à produção: Acácio Barros

Reportagem cinematográfica: JM Barboza e Marcelo Padovan

Apoio à reportagem cinematográfica: Denis Vianna, Eduardo Guimarães e Rodolpho Rodrigues

Auxílio técnico: Rafael Carvalho e Caio Araujo

Apoio à imagem: Yuri Ledesma

Edição de texto: Márcio Garoni

Edição e finalização de imagem: Rodrigo Botosso

Assessoria: Maura Martins

Arte: André Maciel, Aleixo Leite e Carol Ramos

No ar desde 2008, o Caminhos da Reportagem é uma das produções jornalísticas brasileira mais prestigiadas pelo público e a crítica. No final de 2025, o programa da TV Brasil ultrapassou a marca de 100 prêmios recebidos. Os reconhecimentos atestam a relevância editorial, a qualidade jornalística e o compromisso da equipe com reportagens aprofundadas sobre os mais variados temas de interesse público.

Exibido às segundas, às 23h, o Caminhos da Reportagem tem horário alternativo na madrugada para terça, às 2h30. A produção disponibiliza as edições especiais no site http://tvbrasil.ebc.com.br/caminhosdareportagem e no YouTube da emissora pública em https://www.youtube.com/tvbrasil . As matérias anteriores também estão no aplicativo TV Brasil Play , disponível nas versões Android e iOS, e no site http://tvbrasilplay.com.br .

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Caminhos da Reportagem – “ Pink Money : o valor da diversidade” – Segunda-feira (8), às 23h, na TV Brasil

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Fonte: Agência Gov / Governo Federal

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