Airbus vive impasse sobre lançamento antecipado do A220 de maior porte, dizem fontes
A Airbus enfrenta hesitações sobre o lançamento do A220 de maior porte devido à resposta morna de empresas de leasing e debates sobre desempenho.
O lançamento, previsto para o Farnborough Airshow em julho, é considerado "improvável", mas a Airbus não descarta a possibilidade ainda este ano.
A versão maior do A220 poderia reduzir custos de produção, mas as companhias aéreas estão preocupadas com o alcance e a durabilidade dos motores Pratt & Whitney.
Por Tim Hepher e Allison Lampert
PARIS/RIO DE JANEIRO, 5 Jun (Reuters) – A Airbus está hesitante sobre o momento de lançar uma versão maior do jato A220 devido à resposta morna de poderosas empresas de leasing e a um debate sobre alcance e desempenho, disseram seis fontes da indústria.
Após ter aguçado o apetite dos compradores no início deste ano com a possibilidade de um lançamento já no Farnborough Airshow deste verão, a Airbus reduziu as expectativas.
Um alto executivo da Airbus afirmou que o lançamento em Farnborough, previsto para o final de julho, agora "não é provável", embora a fabricante de aeronaves não tenha descartado a possibilidade de acontecer ainda este ano.
"Estamos estudando todas as opções; nenhuma decisão foi tomada", disse um porta-voz da Airbus.
Uma versão maior do A220 permitiria à Airbus renegociar contratos com fornecedores e reduzir os custos de produção, o que poderia ajudá-la a reverter o prejuízo do programa que adquiriu por um dólar em 2018, depois que a canadense Bombardier ficou sem dinheiro.
O programa A220 continua deficitário e vem perdendo encomendas para a concorrente brasileira Embraer.
Fontes internas afirmam que a Airbus tem divulgado uma atualização relativamente modesta, conhecida como "alongamento simples", sem aumento no peso máximo de decolagem ou atualização dispendiosa dos motores Pratt & Whitney.
O avião teria capacidade para cerca de 180 pessoas, em vez das atuais 160, o que levaria a uma redução de cerca de 10% nos custos por assento, mas com menor alcance, disseram duas pessoas familiarizadas com o projeto.
Nem todas as companhias aéreas querem abrir mão da autonomia, reduzindo o número de clientes em potencial. Além disso, as companhias aéreas que se reúnem no Brasil para a cúpula da IATA neste fim de semana ainda sofrem com os problemas de durabilidade dos motores Pratt & Whitney existentes.
"As companhias aéreas podem estar convencidas pelos aspectos econômicos, mas não necessariamente pelo desempenho", disse o analista de aviação Rob Morris.
A RTX, empresa controladora da Pratt & Whitney, recusou-se a comentar.
"UM GRANDE ANO" PARA O A220?
Em janeiro, a Airbus mostrou-se mais otimista, afirmando a investidores à margem da conferência Airlines Economics em Dublin que 2026 seria um "grande ano" para o A220, segundo fontes.
Cinco meses depois, os potenciais compradores afirmam que ainda não receberam detalhes que seriam esperados caso o avião estivesse perto de ser lançado.
"Uma das questões que teremos que examinar é o alcance da aeronave", disse Mark Nasr, diretor de operações da Air Canada, à Reuters esta semana.
A pressão para apresentar algo novo também diminuiu quando a Air. Asia fez uma encomenda de 150 unidades do modelo existente.
"É uma questão de quando… e não de se, mas não é agora", disse o presidente-executivo da Airbus, Guillaume Faury, a jornalistas em abril, referindo-se ao lançamento do A220, aeronave de maior porte.
Fonte: Portal do Holanda

