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Conflito no Oriente Médio leva milhões de pessoas à fome, diz ONU

O conflito no Oriente Médio, exacerbado por ataques dos EUA e Israel ao Irã, está gerando uma crise alimentar global, segundo a ONU.

O Programa Mundial de Alimentos alerta que até 45 milhões de pessoas podem enfrentar insegurança alimentar aguda devido ao aumento dos preços do petróleo, que ultrapassam US$100 por barril.

Na Somália e no Afeganistão, milhões enfrentam fome severa, com 6,5 milhões de somalis e 17,4 milhões de afegãos em risco, enquanto o PMA enfrenta um déficit de financiamento de 89%.

GENEBRA, 5 Jun (Reuters) – O conflito no Oriente Médio está empurrando milhões de pessoas para perto da fome, já que o aumento dos custos de combustível e transporte elevam os preços dos alimentos, enquanto a falta de financiamento força as agências de ajuda a reduzir a assistência, afirmou o Programa Mundial de Alimentos da ONU nesta sexta-feira.

Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã em fevereiro desencadearam um conflito regional que se estendeu pelo Golfo Pérsico e pelo Líbano, interrompendo as principais rotas de navegação, incluindo o Estreito de Ormuz, forçando as embarcações a desviar a rota e restringindo drasticamente os fluxos globais de energia e as cadeias de suprimentos.

Em março, o programa previu que até 45 milhões de pessoas poderiam cair em insegurança alimentar aguda se os preços do petróleo permanecessem em torno de US$100 por barril até junho. Esse cenário está se desenrolando agora, disse a agência, com os preços de referência do petróleo bruto permanecendo acima desse nível desde o início de março.

As famílias no Afeganistão, na Somália e no Sri Lanka estão entre as mais seriamente afetadas e enfrentam uma pressão crescente devido aos custos mais altos de combustível, picos de preços de alimentos, perdas de renda e interrupção do comércio.

Na Somália, espera-se que 6,5 milhões de pessoas — cerca de um terço da população — enfrentem fome severa em 2026, enquanto o Afeganistão poderá ver 17,4 milhões de pessoas afetadas, disse o PMA. A situação deverá piorar, com mais 2,5 milhões de somalis e 2,3 milhões de afegãos correndo o risco de cair na insegurança alimentar se as interrupções persistirem. Ambos os países dependem da importação de energia e alimentos.

A crise no Oriente Médio ocorre em meio a um profundo déficit de financiamento para as agências de ajuda. O PMA disse que espera atender 1,5 milhão de pessoas a menos em todo o mundo em 2026, e 9 milhões a menos se a situação persistir por seis meses.

Na Somália, os suprimentos de alimentos nutritivos para crianças com menos de 5 anos que sofrem de desnutrição moderada acabarão em julho, pois o PMA enfrenta um déficit de financiamento de 89% no país.

"Estamos ficando sem alimentos. Os alimentos não estão disponíveis para distribuição, e as pessoas que sofrerão o impacto disso serão crianças muito vulneráveis", disse Jean-Martin Bauer, diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do PMA.


Fonte: Portal do Holanda

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